Mineração
Goiás firma acordo com EUA para cooperação em minerais críticos
Memorando não prevê obrigações e ocorre em meio a oferta de financiamento e interesse americano em terras raras
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), assinou um memorando de entendimento (MoU) entre o estado e o governo dos Estados Unidos voltado à cooperação na exploração de minerais críticos e terras raras. O documento foi firmado no Consulado-Geral dos EUA, em São Paulo, com o encarregado de negócios da embaixada norte-americana, Gabriel Escobar.
O memorando não estabelece obrigações entre as partes e é descrito pelo governo goiano como uma declaração de intenções de cooperação em pesquisa e capacitação, com foco na criação de um ambiente regulatório competitivo. Não foram detalhados mecanismos de implementação da parceria nem eventuais incentivos fiscais.
Durante a agenda em São Paulo, Caiado também participou do Fórum Brasil–EUA sobre minerais críticos, organizado pela embaixada e consulados dos Estados Unidos no Brasil, pela Amcham Brasil, pelo Citi e pela Câmara de Comércio dos EUA, com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
O evento reuniu representantes de empresas como PLS, Sigma (lítio), Aclara, Viridis, Meteoric, St. George, Bemisa, Mosaic, Energy Fuels (terras raras), Graphcoa (grafita), Atlantic Nickel (níquel), Bravo (minerais do grupo da platina), Brazil Iron (ferro), CBPM, Fides, Libra Energy e BRE, entre outras. O governo federal foi convidado, mas não enviou representantes.
Goiás concentra atualmente a única operação de terras raras em atividade no Brasil, conduzida pela Serra Verde, no município de Minaçu. O estado também reúne outros projetos em desenvolvimento, como o da Aclara, em fase de licenciamento, que mantém uma planta piloto em Aparecida de Goiás.
Os Estados Unidos, por meio da International Development Finance Corporation (DFC) e do Eximbank, indicaram a disponibilidade de mais de US$ 600 milhões em financiamento para projetos de minerais críticos em andamento no Brasil, com expectativa de garantir o fornecimento de concentrados. Representantes do governo norte-americano afirmaram que o volume potencial de financiamento pode alcançar bilhões de dólares.
Dados do US Geological Survey indicam que os Estados Unidos apresentam elevada dependência de importações para o suprimento de minerais estratégicos. No caso das terras raras, o índice de dependência foi de 67% em 2025. O país também depende de importações, em níveis que variam de 50% a 100%, de substâncias como arsênio, fluorita, gálio, grafita, índio, manganês, nióbio, escândio, tântalo, ítrio, titânio, platina, cromo, cobalto, prata, estanho, barita, magnésio, rênio, zinco, alumínio, cobre, paládio, germânio, silício, tungstênio e lítio.