A urgência de olhar para a retroárea portuária
Uma coisa é certa: os sucessivos recordes de movimentação (do Porto de Santos) nos fazem concluir que o retroporto é de grande importância para o Porto e não existe porto eficiente sem um retroporto forte e estruturado.
O Porto de Santos bate sucessivos recordes de movimentação, ano a ano. Comemoramos cada marca histórica alcançada, mas esse crescimento nos traz perguntas essenciais: Até que ponto podemos ir e qual estrutura devemos ter para que essa carga não sobrecarregue a cidade?
Conforme a atividade portuária cresce, o porto precisa de mais espaço, não só no cais. Em respostas à essa demanda, recebemos, com cautela, a boa notícia que os limites da poligonal foram revistos e ampliados. Somente na parte terrestre o crescimento será de 56%, passando dos atuais 9,3 milhões de metros quadrados para 14,5 milhões de metros quadrados.
O movimento indica que o foco da estratégia portuária vai além do cais até as áreas de retaguarda, colocando a retroárea no centro do debate sobre o futuro econômico e urbano da Baixada Santista.
As estruturas que ficam no espaço seco, usadas para receber cargas antes do embarque ou logo após o desembarque, funcionam como o “pulmão” que permite ao cais respirar. Com mais cargas chegando e saindo é preciso liberar o terminal de atracação o mais rápido possível para dar lugar ao próximo navio.
A ampliação da área poligonal do Porto de Santos traz impactos diretos para empresas de logística e para os moradores da cidade. Novas áreas abrem caminhos para novas empresas, gerando mais empregos, renda e economia. A logística urbana pode ser melhor organizada, com novos fluxos para caminhões e menor impacto no viário municipal.
A atividade portuária responde por cerca de 38 mil empregos diretos em Santos, o equivalente a um em cada cinco postos de trabalho na Cidade. Além disso, é responsável por cerca de 30% da arrecadação dos tributos municipais. Porém, não podemos precisar o quanto destes números representam as empresas que atuam com o Porto, mas fora dele.
Apesar da relevância, não existe um censo completo de quantas empresas são, quanto geram em salários, impostos municipais ou impacto social, áreas ocupadas e outros dados sobre as empresas de transportes rodoviarios, terminais REDEX, terminais de vazios e os demais que operam no entorno urbano – o chamado complexo retroportuário
Estimativas do setor sugerem centenas de CNPJs, mas a ausência de uma base de dados robusta dificulta o planejamento de políticas públicas e infraestrutura.
Uma coisa é certa: os sucessivos recordes de movimentação nos fazem concluir que o retroporto é de grande importância para o Porto e não existe porto eficiente sem um retroporto forte e estruturado.
É urgente pensar de maneira estratégica para o setor. Que não olhemos apenas para o mar, mas também para a terra.
Bayard Umbuzeiro Neto escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras.