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Jornal BE News - Edição de Hoje

Norte Export

Gestão a longo prazo e dragagem são soluções para as hidrovias

Atualizado em: 19 de March de 2026 às 18:39
Beatriz de Castela Enviar e-mail para o Autor

Executivo da Jan de Nul defende gestão contínua e dragagem preventiva como forma de evitar colapsos logísticos nas hidrovias amazônicas

Durante a sua participação no Fórum Norte Export, realizado nesta quinta-feira (19) em Manaus, Ricardo Delfim, Diretor Comercial da Jan de Nul, destacou a importância de uma mudança de paradigma na manutenção das hidrovias da região Norte do Brasil. Apresentando um estudo de caso recente e bem-sucedido no Rio Madeira, Delfim defendeu que o planejamento e a gestão a longo prazo podem evitar o colapso logístico causado por eventos climáticos extremos, como a seca histórica que atingiu a região.

Historicamente, as obras de dragagem na região amazônica são executadas de forma corretiva. No entanto, entre 2022 e 2023, a Jan de Nul participou de um projeto piloto do governo federal focado na dragagem preventiva. A atuação ocorreu em um trecho de 600 quilômetros da hidrovia do Rio Madeira, estendendo-se de Porto Velho até Manicoré.

Delfim utilizou uma metáfora médica para ilustrar a intervenção: a dragagem, por ser uma atividade cara e de alto valor agregado, é como um “antibiótico” que só deve ser aplicado quando estritamente necessário. “Aqui na bacia amazônica, observamos uma série de hidrovias onde a pura gestão, o monitoramento do canal e o balizamento adequado já solucionariam uma boa parte do problema, agindo como um analgésico, um Tylenol, sem precisar partir para um Benzetacil de uma vez”, explicou o diretor.

A estratégia consistiu em intervir apenas em seis ou sete pontos críticos por ano, dependendo da sazonalidade, em vez de dragar irrestritamente toda a calha do rio. O resultado prático foi comprovado durante a seca histórica de 2024, os pontos que receberam a dragagem preventiva em momentos de água alta permaneceram navegáveis.

Hidrovias da Amazônia exigem gestão a longo prazo

A empresa precisou desenvolver melhorias e adaptar seus pesados equipamentos internamente (in-house) para lidar com as condições da região Norte, enfrentando até mesmo dificuldades operacionais ligadas à presença de garimpos.

Para o futuro das hidrovias da Amazônia, a aposta da Jan de Nul está nos modelos de concessão de longo prazo. Delfim citou o exemplo de um contrato de 40 anos assinado em 2019 para a gestão de 90 quilômetros da hidrovia do Rio Guayas, em Guaiaquil, no Equador.

Lá, a segurança do longo prazo permitiu o desenvolvimento de inovações ambientais e sociais, como o uso do material dragado para a criação de bancos de manguezais e o engajamento direto da comunidade.

“A gestão da hidrovia vai muito além da dragagem”, ressaltou o executivo, sugerindo que contratos similares nas hidrovias da Amazônia proporcionariam melhorias incrementais contínuas.

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