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Ferrovias

CRRC instala fábrica em Araraquara e inicia produção de trens no país

Atualizado em: 26 de March de 2026 às 10:46
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Unidade atenderá encomendas do Trem Intercidades e da Linha 2-Verde do metrô, em meio à contratação de R$ 5,6 bilhões em financiamentos do BNDES

A instalação da fábrica da chinesa CRRC em Araraquara (SP) marca a entrada da maior fabricante de trens do mundo na produção local, ancorada por encomendas do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte e da expansão do metrô paulista e sustentada por R$ 5,6 bilhões em financiamentos públicos contratados na quarta-feira (25).

A cerimônia de instalação da fábrica foi realizada com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; do presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante; e de autoridades locais. O evento serviu de palco para a assinatura de contratos de financiamento que somam R$ 5,6 bilhões, sendo R$ 3,2 bilhões destinados ao TIC Eixo Norte,  que ligará São Paulo a Campinas. E R$ 2,4 bilhões para a expansão da Linha 2-Verde do metrô da capital paulista.

Os contratos formalizados correspondem a uma nova etapa de um pacote mais amplo aprovado pelo banco em 2023, que prevê até R$ 10 bilhões em crédito para os projetos, incluindo a implantação do TIC e a aquisição de 44 trens para o sistema metroviário. Parte dessas composições será produzida na unidade de Araraquara, conectando diretamente o financiamento público à instalação da capacidade industrial no país.

A unidade industrial integra o Consórcio C2, formado pela CRRC e pela brasileira Comporte Participações, grupo responsável pela implantação do TIC. Além das composições do trem regional, a fábrica também produzirá trens destinados à expansão da Linha 2-Verde, inserindo o empreendimento em dois dos principais projetos de mobilidade urbana em andamento no estado.

A fábrica está sendo implantada em uma área anteriormente ocupada por uma montadora que encerrou as atividades no município, e já iniciou a contratação de trabalhadores enquanto as linhas de produção são instaladas. A operação deve começar no segundo semestre deste ano. Ainda não há atualização oficial sobre o número de empregos, mas, em 2025, a estimativa divulgada era de cerca de 100 vagas.

 

Conteúdo nacional

 

O modelo adotado para os projetos prevê a exigência de conteúdo nacional como condição para o financiamento, o que, na prática, induz a instalação de unidades produtivas no país. A lógica combina demanda garantida — via contratos de concessão e expansão de infraestrutura — com crédito público direcionado, criando as condições para a internalização da produção de equipamentos ferroviários.

Esse arranjo também inclui a perspectiva de transferência de tecnologia. Durante a cerimônia, foi destacada a possibilidade de formação de mão de obra especializada, com intercâmbio entre profissionais brasileiros e estrangeiros, em um movimento que busca reduzir a dependência de importações em um segmento historicamente dominado por fornecedores internacionais.

Abandono

Nos discursos, Lula voltou a criticar o histórico de descontinuidade dos investimentos em ferrovias no país, afirmando que o Brasil abandonou o setor ao priorizar o transporte rodoviário ao longo das últimas décadas. O presidente também defendeu a ampliação de parcerias internacionais como instrumento para incorporar tecnologia e ampliar a capacidade produtiva nacional.

Já Alckmin afirmou que o modelo de financiamento adotado combina incentivos à importação de equipamentos não produzidos localmente com exigências de conteúdo nacional, o que, segundo ele, cria estímulos para que empresas estrangeiras instalem fábricas no Brasil. Mercadante, por sua vez, destacou o papel do banco como indutor de investimentos produtivos e associou os contratos à política industrial em curso.

A instalação da unidade da CRRC ocorre em um momento em que projetos de transporte de média capacidade voltam à agenda de investimentos, com o TIC sendo apresentado como alternativa intermediária entre os sistemas metropolitanos e os antigos planos de trens de alta velocidade. Com velocidade prevista de até 150 km/h, o projeto busca atender à demanda crescente por deslocamentos regionais no eixo São Paulo–Campinas, um dos mais dinâmicos do país.

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