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Ferrovias

Fico avança com negociações entre governo e povo Xavante

Atualizado em: 27 de March de 2026 às 11:11
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Encontro realizado em Brasília reuniu caciques de 24 aldeias e discute impactos e contrapartidas da ferrovia

A Infra S.A., em articulação direta com o Ministério dos Transportes (MT) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), realizou, nesta terça-feira (24) e quarta-feira (25), o segundo encontro de diálogo com lideranças do povo Xavante da Terra Indígena Marechal Rondon (MT), para viabilizar a implantação de um trecho de 80 quilômetros da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) na região.

A agenda, que dá continuidade às tratativas iniciadas em setembro do ano passado com o povo Xavante do Território Indígena Pimentel Barbosa, também em Mato Grosso, consolida um modelo de negociação baseado na escuta qualificada, na transparência institucional e no reconhecimento do protagonismo dos povos originários.

O encontro reuniu nove caciques, representando 24 aldeias, que foram a Brasília para apresentar as demandas das comunidades e discutir os impactos e as contrapartidas relacionadas ao avanço da ferrovia.

Os líderes indígenas ressaltaram que a Terra Indígena de Marechal Rondon não reconhece a legitimidade de entidades externas para falar em seu nome, e que o diálogo deve ocorrer diretamente com o Governo Federal, tendo a Infra S.A. como articuladora central.

A agenda interministerial incluiu reuniões na sede da estatal, no Ministério dos Transportes e no Ministério dos Povos Indígenas, o que demonstra a atuação coordenada do governo do Brasil em torno de um empreendimento estratégico para a logística nacional.

Com mais de 360 quilômetros de extensão, a Fico conecta Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT) e integra o corredor logístico que ampliará o acesso dos centros de produção agrícola do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte. aos portos do Arco Norte, com impacto direto sobre o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste.

O diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, acompanhou integralmente a agenda e destacou que o avanço da ferrovia está condicionado ao entendimento com as comunidades, com base em diálogo permanente e construção conjunta.

“Este projeto só avançará na medida em que houver diálogo contínuo, transparente e respeitoso com os povos indígenas. Não há qualquer hipótese de implementação à revelia das comunidades”, afirmou.

Mais do que um projeto de infraestrutura, a FICO se insere em um novo paradigma de relação com os territórios tradicionais, sendo um modelo que, segundo Ludolfo, só avança com base no diálogo permanente e na construção de consensos.

Durante as reuniões, as lideranças Xavante do Território Indígena Marechal Rondon apresentaram um conjunto estruturado de pleitos, que vão desde a demarcação de terras até demandas por infraestrutura básica nas aldeias, como energia elétrica, água potável, internet, estradas e transporte.

Também solicitaram participação nos benefícios econômicos do empreendimento, com mecanismos que garantam retorno contínuo às comunidades.

Diálogo

O cacique Joenil Waiaudzé, da Aldeia Emanuel, destacou a importância do diálogo e da estrutura mínima para que ele aconteça, como condição essencial para garantir resultados concretos às comunidades.

“Estamos aqui tratando do futuro da nossa comunidade e isso exige respeito e condições reais para o diálogo. Somos nós que vivemos na terra, somos nós que conhecemos nossas necessidades e somos nós que devemos decidir. Queremos o básico: proteção, presença do Estado, luz, água, estrada e respeito.”

Já o cacique Danilo Tseredza Tse, da Aldeia Darci Betânia, enfatizou que as comunidades não se opõem ao empreendimento, mas exigem contrapartidas duradouras.

“Não somos contra a ferrovia. Sabemos que o progresso vai passar. Mas ele precisa deixar algo que permaneça para sempre com o nosso povo. Não queremos promessas, queremos garantias. Precisamos de máquinas para trabalhar, de estrutura para produzir, de condições para que nossos filhos não vivam o que vivemos hoje.

A ferrovia pode passar, mas ela precisa trazer dignidade junto com ela. O benefício não pode ser temporário, ele precisa ser para a vida toda.”

Entre os principais pontos apresentados estão: demarcação das terras diante de ocupações irregulares, apoio logístico contínuo para as aldeias, implantação de infraestrutura básica (água, energia, internet), melhoria das estradas, transparência na aplicação de recursos e participação direta nos benefícios econômicos da ferrovia.

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