Aviação
Alta do QVA terá consequências severas, diz Abear
Após aumento de 54,63% no preço do querosene de aviação, associação das empresas aéreas prevê prejuízo à democratização do transporte
A Petrobras confirmou em seu site nesta quarta-feira, 1º de abril, o novo preço do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras, com um aumento de 54,63%. A partir desta data, o combustível passa a custar R$ 5.495,30 o metro cúbico, ou R$ 5,495 por litro. Em março, a estatal já havia elevado o combustível em 9,4%.
A alta, semelhante à anunciada pela concorrente da Bahia, a Refinaria de Mataripe, reflete o aumento do preço do petróleo e de seus derivados no mercado internacional por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã, que bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta da commodity.
Com o reajuste, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas após as altas recentes do querosene de aviação (QAV), segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Afinal, o aumento de 54,63% se soma ao anterior, de 9,4%, em vigor desde 1º de março.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do País e a democratização do transporte aéreo”, afirma a associação, por meio de nota.
A Abear diz ainda que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas.
“Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações”, finaliza.
O presidente da associação, Juliano Noman, afirmou que as medidas do governo federal para tentar mitigar o impacto da alta do preço do petróleo no querosene de aviação (QAV) precisam ser “urgentes” para que o setor não tenha de adotar ações de replanejamento.
O setor avalia que linhas de crédito, alívio tarifário e ajustes tributários, por exemplo, podem amenizar a alta dos preços.