Ferrovias
Governo conversa com comunidades sobre obras da FICO
Ministério dos Transportes realiza terceira rodada de reuniões com o povo Xavante para discutir efeitos da obra no território
O Ministério dos Transportes promoveu, nesta quarta-feira (8), em Brasília, a terceira rodada de reuniões com representantes do povo Xavante da Terra Indígena Parabubure, no Mato Grosso, para tratar da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico). O encontro contou com a participação da Infra S.A. e reuniu lideranças de diferentes aldeias, dando continuidade ao diálogo com comunidades que podem ser impactadas pelo empreendimento.
Segundo o secretário de Sustentabilidade da pasta, Cloves Benevides, a proposta é avançar nas obras sem deixar de lado a garantia de direitos. Ele destacou que o governo busca soluções equilibradas, que considerem tanto o desenvolvimento da infraestrutura quanto o respeito aos territórios indígenas e às demandas das populações locais.
Com cerca de 360 quilômetros de extensão, a Fico vai ligar Mara Rosa, em Goiás, a Água Boa, no Mato Grosso, integrando o corredor logístico do Arco Norte. A ferrovia é apontada como estratégica para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste.
Durante a reunião, as lideranças Xavante ressaltaram a importância de uma análise aprofundada dos impactos ambientais, sociais e culturais nos territórios tradicionais. Entre as principais reivindicações estão a realização de consulta prévia, a ampliação dos estudos de impacto e a implementação de medidas compensatórias de longo prazo.
Os representantes indígenas também apresentaram demandas relacionadas à demarcação de terras, à proteção ambiental e ao desenvolvimento de iniciativas que promovam a sustentabilidade econômica das comunidades. O cacique Isaías Tsihorira Dumhiwe afirmou que, diante dos impactos previstos, é fundamental garantir ações que recuperem eventuais danos e assegurem melhores condições para as futuras gerações.