Bahia Export
Energia renovável avança na Bahia, mas precisa de competitividade
Painel do Bahia Export aponta entraves regulatórios, desigualdade entre portos e papel estratégico da transição energética no PIB
O impacto das energias renováveis e dos investimentos em sustentabilidade no crescimento econômico da Bahia foi tema de debate no painel “Impacto das energias renováveis e dos investimentos em sustentabilidade no PIB da Bahia”, dentro da programação do Bahia Export 2026, que reuniu especialistas do setor público e privado em Salvador, pelo segundo dia, nesta sexta-feira (10).
Durante a discussão, a advogada Cristina Wadner destacou que, embora a Bahia esteja na dianteira no uso de fontes renováveis, ainda há um descompasso quando o assunto é competitividade logística.
Segundo ela, os complexos portuários brasileiros apresentam níveis distintos de maturidade em sustentabilidade. “Há portos que já operam com eletrificação e compensação de energia, como o Porto de Salvador. Mas ainda falta transformar esse avanço em liderança logística”, afirmou.
Cristina também comparou o cenário baiano com outros terminais do país, citando o Porto do Pecém e o Porto de Santos como exemplos mais estruturados e avançados no processo de descarbonização, embora também enfrentem o desafio de converter esse diferencial em ganho competitivo.
Na esfera pública, o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, afirmou que a Bahia possui uma base regulatória e ambiental consolidada, ainda que existam entraves. Entre os principais desafios, ele apontou a necessidade de conciliar desenvolvimento com a ocupação territorial e a adaptação de projetos em áreas rurais e de povos originários.
“Temos avançado com diálogo e parcerias com empreendedores, mas há questões sensíveis que exigem equilíbrio, especialmente em um estado com grande extensão territorial”, disse.
Já a gerente da Acelen Renováveis, Maíra Peruzzo, reforçou o papel estratégico da agenda ESG na economia. “ESG é sinônimo de performance e compromisso”, resumiu, ao destacar que sustentabilidade e eficiência caminham juntas no ambiente de negócios.
“Temos uma série de instrumentos normativos, mas temos lacunas, seja do ponto de vista de implementação infralegal, ou seja, decretos para essas normas federais, mas, principalmente, à implementação das políticas públicas”, apontou a Doutora e mestre em direito e sustentabilidade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Raíssa Pimentel.
Encerrando o painel, o diretor-executivo da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, Vladson Menezes, destacou que a transição energética já é uma realidade inevitável. “Ela não é linear, mas é inexorável. Há uma necessidade global de combater o aquecimento, mas também de garantir fontes renováveis de energia”, afirmou.
Segundo ele, o crescimento econômico da Bahia está diretamente ligado à capacidade de adaptação às novas tendências energéticas, reforçando o papel do estado como protagonista na agenda de sustentabilidade.
O painel, que também contou com evidenciou que, apesar dos avanços em energia limpa, o desafio agora é integrar sustentabilidade, infraestrutura e logística para ampliar a competitividade e potencializar os impactos positivos no Produto Interno Bruto (PIB) baiano.