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FMI reduz projeção de crescimento global e alerta para risco de recessão
As novas projeções do FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas projeções para a economia global neste ano, adotando um tom de alerta diante da escalada do conflito no Oriente Médio. Em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial, a instituição reduziu a estimativa de crescimento do PIB global de 3,3% para 3,1%, advertindo que uma guerra prolongada entre Estados Unidos, Israel e Irã pode levar o mundo a uma recessão e elevar a inflação global para patamares acima de 6%. Mas em contraste com o pessimismo generalizado para economias da Europa e da Ásia, o Brasil teve sua projeção de crescimento elevada de 1,6% para 1,9% em 2026.
A resiliência brasileira
Segundo o FMI, o Brasil se destaca por sua condição de exportador líquido de energia, o que permite converter a alta dos preços internacionais do petróleo e de outras commodities em aumento de receita. Essa resiliência é reforçada por fundamentos sólidos, como reservas internacionais elevadas e uma menor dependência de dívida em moeda estrangeira.
Crescimento moderado em 2027
No entanto, o cenário positivo para o Brasil é visto como um alívio pontual e dependente de fatores externos. Para 2027, o fundo já projeta uma moderação no crescimento brasileiro para 2%, refletindo o impacto da desaceleração econômica mundial e o encarecimento de insumos produtivos. O economista-chefe da instituição, Pierre-Olivier Gourinchas, ressaltou que, caso o preço do barril de petróleo ultrapasse os US$ 100 dólares de forma persistente, o choque sobre as cadeias produtivas globais exigirá novos apertos nas taxas de juros por parte dos bancos centrais, limitando o potencial de expansão mesmo para nações produtoras de energia.
Fragilidade extrema
Enquanto o Brasil e outros exportadores de bens primários encontram algum fôlego, as grandes potências enfrentam horizontes mais nublados. Os Estados Unidos devem registrar um crescimento de 2,3% em 2026, mas sob forte vigilância inflacionária. A zona do euro, mais vulnerável à crise energética, deve crescer apenas 1,1%, enquanto a China mantém uma expansão projetada de 4,4%. O relatório conclui que a economia global entrou em um período de fragilidade extrema, onde a estabilidade dos mercados financeiros agora depende diretamente da duração e da intensidade das tensões no Estreito de Ormuz.