Transportes
Santoro: governo prepara crédito de até 60 anos para ferrovias
Ministro diz que modelo em estudo com o BNDES prevê carência ampliada e pagamento apenas de juros no início dos projetos
O governo federal articula um novo modelo de financiamento para o setor ferroviário, com prazos que podem chegar a 60 anos e carência ampliada. A proposta está em discussão entre o Ministério dos Transportes e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Em entrevista à CNN Brasil, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a iniciativa busca adaptar o crédito às características do setor. “Estamos falando de projetos com investimentos muito elevados e retorno de longo prazo. O modelo precisa refletir essa realidade”, disse.
Segundo ele, a estrutura em estudo inclui a possibilidade de suspensão da amortização durante a fase inicial dos empreendimentos. “Você pode ter um período em que paga só juros, porque o projeto ainda não gera receita. Isso melhora muito a viabilidade”, afirmou.
A ideia é aplicar esse modelo em projetos como a Ferrogrão e a EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste), cuja concessão deve ter prazo de 50 anos. O desenho também prevê maior flexibilidade para diluir custos ao longo do tempo e combinar diferentes fontes de recursos, incluindo instrumentos como o Fundo Clima.
Para Santoro, as novas condições podem ampliar o interesse do setor privado. “Isso pode atrair novos players, especialmente para as short lines, que são ferrovias menores, mas fundamentais para alimentar os grandes corredores logísticos”, disse.
A estratégia também envolve recuperar trechos ociosos ou devolvidos. Segundo o ministro, o governo pretende estruturar essas concessões com modelo semelhante ao adotado no setor portuário, com edital padronizado, projeto de referência e análise do Tribunal de Contas da União (TCU).