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Copersucar pede autorização para testar abastecimento de navios com etanol anidro
Operação-piloto com etanol
A Copersucar solicitou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorização para testar o abastecimento de navios com etanol anidro no Porto de Santos (SP), um passo histórico para a transição energética marítima no Brasil. A operação, que conta com a expertise técnica da Bunker One e da Nova Offshore, deve ocorrer no próximo mês e utilizará uma barcaça adaptada para transportar o biocombustível do terminal da Ageo, na Ilha Barnabé, na margem esquerda do complexo marítimo, até o navio atracado no Tecon, operado pela Santos Brasil.
Compatibilidade
O projeto de abastecimento em Santos é amparado pelo compromisso assumido pela Copersucar durante a COP30, em Belém (PA), no ano passado, onde o etanol foi apresentado como uma solução de baixo carbono capaz de reduzir as emissões em até 68%. Segundo a companhia, a grande vantagem competitiva é a compatibilidade do combustível com os motores atuais, exigindo ajustes mínimos na infraestrutura existente, o que o torna uma opção economicamente mais atraente do que alternativas que demandam motores completamente novos. Para a empresa, a operação será um passo decisivo para demonstrar a viabilidade logística do etanol como o próximo grande combustível sustentável da navegação.
Política pública
O cenário para o etanol marítimo tem se tornado cada vez mais favorável em 2026, com o apoio institucional do Ministério de Minas e Energia (MME). Recente relatório da pasta não apenas valida o potencial do biocombustível como uma opção de baixa emissão, como também sinaliza a criação de políticas de mandato para a substituição gradual do bunker fóssil em águas brasileiras. Essa diretriz governamental busca aproveitar a infraestrutura já consolidada do setor sucroenergético para posicionar o Brasil como líder global em combustíveis sustentáveis para o transporte de cargas.
Maersk e Vale
Além da Copersucar, o mercado internacional já demonstra apetite por essa solução brasileira. Exemplos recentes incluem a Maersk, que já realizou testes de misturas com etanol brasileiro, e o acordo estratégico entre a Vale e a Shandong Shipping para navios da classe Guaibamax movidos a etanol, previstos para 2029. Essa convergência entre grandes players da mineração, navegação e energia reforça a percepção de que o etanol deixou de ser apenas uma aposta para se tornar um pilar central da descarbonização logística global.