Rio de Janeiro Export
Pazuello critica “centro” político e cobra articulação por setor de energia
Deputado afirma que setor precisa de representação ativa no Congresso, defende estatais com gestão eficiente e alerta para julgamento de royalties no STF
A sessão solene de abertura do fórum Rio de Janeiro Export, promovido pelo Grupo Brasil Export, foi marcada pelo protagonismo do deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), que concentrou a principal fala política do encontro. Presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia (FREPPEGEN), ele defendeu maior articulação no Congresso para atender às demandas do setor e aproveitou o espaço para criticar o que chamou de indefinição ideológica no debate político nacional.
“Um setor como esse precisa ter representatividade republicana no Congresso Nacional”, afirmou Pazuello, ao defender um padrão de atuação política voltado à construção de projetos de lei, emendas e agendas específicas para fortalecer a área.
O deputado também fez críticas contundentes ao que chamou de “falsa ideia” de centro político. Para ele, a dinâmica democrática é necessariamente marcada por posições opostas. “A democracia e a política são ações binárias. É sim e não”, disse, acrescentando que “não existe político de centro”, mas sim posicionamentos que oscilam entre centro-direita e centro-esquerda.
Na avaliação de Pazuello, essa indefinição prejudica o debate público e compromete a formulação de políticas. Ele argumentou que o avanço do país depende de discussões claras entre diferentes visões, sem que o chamado “pêndulo do centro” interrompa o embate de ideias.
Ao tratar do papel das estatais, o parlamentar afirmou concordar com sua importância estratégica, mas fez ressalvas à má gestão. Em tom direto, declarou que não apoia “privatizações puras e simples”, mas defendeu maior rigor na condução dessas empresas. Ele elogiou a atual gestão de nomes do setor e citou exemplos positivos dentro da estrutura pública.
Pazuello também trouxe um exemplo concreto de articulação política ao mencionar discussões recentes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro sobre ajustes tributários para ampliar a competitividade do porto fluminense. Segundo ele, mudanças legais podem melhorar significativamente a capacidade logística e a concorrência com outros estados.
Na parte final de sua fala, o deputado alertou para o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a distribuição de royalties do petróleo. Ele pediu mobilização política e social para defender os estados produtores. “Acreditem. Precisamos trabalhar bem a comunicação para que as pessoas se engajem efetivamente nesse processo”, afirmou.
O parlamentar ainda questionou os impactos de uma eventual perda de receitas para o Rio de Janeiro, citando riscos diretos para áreas como segurança, saúde e educação. Em tom de preocupação, criticou iniciativas que, segundo ele, fragilizam o pacto federativo.