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PF investiga entrada de bagagens sem fiscalização em voo com Hugo Motta e Ciro Nogueira
Motta, Nogueira e o voo de São Martinho
A Polícia Federal deflagrou uma investigação sobre possíveis crimes de prevaricação e descaminho envolvendo um auditor da Receita Federal e uma comitiva de parlamentares de alto escalão. O inquérito apura a entrada de bagagens sem fiscalização no aeroporto executivo São Paulo Catarina, em São Roque (SP), no retorno de um voo vindo da ilha caribenha de São Martinho, em abril de 2025. O caso, que envolve o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido à presença de autoridades com foro privilegiado.
As bagagens
Segundo o relatório da Policia Federal, imagens do circuito de segurança mostram o piloto da aeronave particular, José Jorge de Oliveira Júnior, passando por fora do pórtico de detecção de metais com sete volumes que não foram submetidos ao raio-X. O auditor fiscal Marco Antônio Canella é investigado por permitir a passagem desses itens sem a devida inspeção aduaneira. Entre os volumes listados pela PF, estão malas, mochilas, caixas e sacolas, cujo conteúdo e propriedade ainda não puderam ser determinados categoricamente pelas autoridades.
Investigação
A aeronave utilizada na viagem pertence a Fernando Oliveira Lima, empresário conhecido como “Fernandin OIG”, operador de plataformas de apostas. Além de Motta e Nogueira, a lista de passageiros incluía os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões, além de Victor Linhares, ex-vereador de Teresina que já é alvo de outra operação investigando ligações entre o crime organizado e o setor de combustíveis. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal sustentam que a continuidade das investigações sob supervisão do STF é necessária para apurar se houve envolvimento direto das autoridades nas condutas ilícitas.
Respostas e pedidos
Em resposta às acusações, o deputado Hugo Motta afirmou ter cumprido todos os protocolos legislativos e aduaneiros, ressaltando que aguardará a manifestação da Procuradoria-Geral da República. O proprietário da aeronave alegou que os volumes transportados eram itens pessoais e que o desembarque ocorreu dentro da normalidade. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, já solicitou um parecer da PGR para decidir sobre a competência da Corte para processar o inquérito, que coloca sob escrutínio a fiscalização em aeroportos executivos e as relações entre parlamentares e operadores do setor de apostas.