Mineração
Vale tem alta de 36% no lucro no 1º tri, com impulso de metais básicos
EBITDA cresce 21% na comparação anual, enquanto cobre e níquel sustentam avanço de receita e margens
A Vale apresentou na terça-feira (28) seus resultados operacionais e financeiros relativos ao primeiro trimestre de 2026, registrando um EBITDA proforma de US$ 3,895 bilhões. O montante representa um avanço de 21% em relação ao mesmo período de 2025, mas uma retração de 19% frente ao trimestre anterior, movimento associado à sazonalidade característica entre o quarto e o primeiro trimestres.
O lucro líquido atribuível aos acionistas somou US$ 1,893 bilhão, com crescimento de 36% na comparação anual. Já a receita líquida alcançou US$ 9,258 bilhões, aumento de 14% ano contra ano, impulsionado pelo maior volume comercializado e por preços realizados mais elevados, especialmente em cobre e níquel.
Segundo o CEO Gustavo Pimenta, o início do ano foi consistente em termos de execução e operação. Ele destacou disciplina operacional e avanços em projetos estratégicos, além do atingimento de recordes de produção em diversos ativos ao longo do trimestre.
As vendas evoluíram de forma equilibrada entre os principais produtos. O volume de minério de ferro comercializado cresceu 4%, equivalente a 3 milhões de toneladas adicionais. No cobre, houve expansão de 11%, ou cerca de 9 mil toneladas, enquanto o níquel apresentou alta de 15%, com incremento de 6 mil toneladas em relação ao primeiro trimestre de 2025.
No caso do minério de ferro fino, o preço médio realizado foi de US$ 95,8 por tonelada, alta de 5,5% na base anual e estabilidade frente ao trimestre anterior. Já as pelotas tiveram preço médio de US$ 133,8 por tonelada, queda de 5% na comparação anual, embora com recuperação de 2% frente ao trimestre anterior.
A divisão Vale Base Metals foi o principal destaque do período, com EBITDA de US$ 1,2 bilhão, mais que o dobro do registrado um ano antes. O cobre foi comercializado a um preço médio de US$ 13.143 por tonelada, avanço de 48% na comparação anual e de 19% frente ao trimestre anterior. O níquel alcançou US$ 17.015 por tonelada, com elevação de 6% ano contra ano e 13% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
No segmento de cobre, os custos all-in ficaram negativos em US$ 642 por tonelada, influenciados pelo forte desempenho das receitas de subprodutos, com destaque para o ouro. O preço médio do metal subiu 69% na comparação anual, atingindo US$ 4.975 por onça. A operação de Salobo respondeu por US$ 697 milhões do EBITDA do segmento, enquanto Sossego contribuiu com US$ 309 milhões, resultado que representa crescimento de 286% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No negócio de níquel, o custo all-in caiu 48% ano contra ano, chegando a US$ 8.184 por tonelada, favorecido pelo aumento das receitas de subprodutos e pela redução do custo dos produtos vendidos. As operações de Voisey’s Bay e Long Harbour reverteram prejuízo e registraram EBITDA positivo de US$ 66 milhões, ante perdas de US$ 50 milhões no primeiro trimestre de 2025.
A companhia indicou que, considerando as projeções de mercado para 2026 — com câmbio médio de R$ 5,25 por dólar e petróleo Brent a US$ 90 por barril —, o custo caixa C1 anual deve se aproximar do teto da faixa previamente divulgada, entre US$ 20 e US$ 21,5 por tonelada, assim como o custo all-in, estimado entre US$ 52 e US$ 56 por tonelada.
Investimentos
Os investimentos totalizaram US$ 1,089 bilhão no trimestre, em linha com a projeção anual de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões para 2026. Os aportes em projetos de crescimento recuaram 42% na comparação anual, reflexo do estágio avançado do projeto Serra Sul +20, que atingiu 86% de execução física e tem início de operação previsto para o segundo semestre.
A dívida líquida expandida encerrou o período em US$ 17,8 bilhões, aumento de US$ 2,2 bilhões em relação ao trimestre anterior. A elevação está relacionada ao pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, parcialmente compensado pela geração de fluxo de caixa livre de US$ 813 milhões, valor 61% superior ao registrado no primeiro trimestre de 2025.
Em relação à gestão de barragens, as estruturas Maravilhas II e Laranjeiras Norte tiveram seus níveis de emergência retirados após aprovação da Agência Nacional de Mineração. Desde 2020, um total de 28 barragens deixou essa condição, o que representa redução acumulada de 80%.