Nacional
Governo amplia Move Brasil para caminhões, ônibus e implementos
Nova etapa do programa eleva recursos para R$ 21,2 bilhões e amplia o acesso ao crédito para renovação da frota
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quinta-feira (30), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), a ampliação do programa Move Brasil, que passa a incluir o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, além de caminhões. A medida amplia o alcance da política pública e eleva o volume de recursos disponíveis para a renovação da frota no país.
A nova etapa será operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da linha Renovação de Frota, com orçamento total de R$ 21,2 bilhões — sendo R$ 14,5 bilhões oriundos do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões em recursos próprios do banco. As condições de financiamento serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e o valor máximo financiável por beneficiário será de até R$ 50 milhões.
Durante o anúncio, Lula afirmou que o governo decidiu revisar as condições da linha de crédito para ampliar o acesso ao programa. “Resolvemos melhorar as condições, aumentar o prazo de carência, ampliar o tempo de pagamento e reduzir um pouco a taxa de juros”, disse. Segundo o presidente, a iniciativa busca alcançar principalmente transportadores autônomos, considerados mais vulneráveis às oscilações econômicas.
O presidente também mencionou medidas voltadas à infraestrutura de apoio ao transporte rodoviário. De acordo com ele, está prevista a implantação de 41 pontos de parada para caminhoneiros em rodovias concedidas. “Os caminhoneiros vão ter, pela primeira vez, até o final do ano, 41 praças para descansar com segurança”, afirmou.
Podem acessar os recursos do programa transportadores autônomos de cargas, cooperativas, empresários individuais e pessoas jurídicas que atuam no transporte rodoviário de cargas e de passageiros. Os financiamentos são destinados à aquisição de veículos de fabricação nacional, conforme regras de conteúdo local do BNDES. Para autônomos e cooperados, também será permitida a compra de veículos seminovos.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a ampliação reforça o caráter estratégico da política. “Esse não é apenas um programa de crédito, é política industrial”, disse. Segundo ele, a renovação da frota contribui para reduzir emissões, melhorar a eficiência logística e estimular a cadeia produtiva do setor automotivo.
A nova etapa também prevê condições diferenciadas para transportadores autônomos, incluindo ampliação do prazo de pagamento para até 10 anos e carência de até 12 meses, propostas que ainda serão avaliadas pelo CMN. O volume de recursos reservado exclusivamente a esse público será de R$ 2 bilhões.
Na primeira fase do programa, lançada em janeiro de 2026, os R$ 10 bilhões disponibilizados foram integralmente contratados em cerca de dois meses, totalizando mais de 8 mil operações de financiamento de caminhões novos em todas as regiões do país. Segundo o governo, mais de 5 mil transportadores e empresas foram beneficiados nesse período.
Medidas provisórias
Durante o evento, também foram anunciadas duas medidas provisórias relacionadas ao programa. A primeira autoriza a União a ampliar em até R$ 2 bilhões sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito por micro, pequenas e médias empresas.
A segunda medida provisória abre crédito extraordinário de R$ 17 bilhões para viabilizar o reforço ao FGI, a ampliação do Move Brasil — com recursos de R$ 14,5 bilhões — e o aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), voltado à ampliação da oferta de garantias às exportações.
Os financiamentos do programa estarão condicionados ao cumprimento de critérios ambientais, sociais e econômicos, incluindo a aquisição de veículos com menor consumo de combustível e menores níveis de emissão, em linha com compromissos relacionados à redução de poluentes e à modernização da frota nacional.