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Planalto entra em confronto com aliados após derrotas no Senado e no Congresso
Aliados infiéis
A crise política no Palácio do Planalto escala para um patamar de confronto direto, após a semana de “humilhação” que resultou na rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e, ainda, na derrubada do veto ao projeto de lei da Dosimetria, esse nas duas casas legislativas. O Governo, que inicialmente focava sua artilharia no presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passou a mirar também aliados “infiéis” do MDB e do PSD. A leitura do núcleo duro do Planalto — que inclui a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais — é que esses partidos operaram nas sombras, aproveitando o voto secreto para impor derrotas estratégicas ao presidente Lula.
No Amazonas
O epicentro da traição dos dois partidos foi localizado no Amazonas, onde dois pilares do governismo no Senado, Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), votaram contra os interesses do Planalto. A motivação, segundo interlocutores, é puramente eleitoral e regional. Eduardo Braga e Omar Aziz estariam reagindo ao movimento do PT amazonense, que pretende lançar Marcelo Ramos ao Senado em 2026, ameaçando suas reeleições.
Vendetta
A resposta do Planalto a essas “traições” será administrativa e cirúrgica. Assim como ocorrerá com Alcolumbre, a expectativa é que uma onda de exonerações de indicados do MDB e do PSD tenha início nos próximos dias. O Governo pretende retomar o controle da máquina federal, removendo nomes ligados aos senadores “rebeldes” em cargos de segundo e terceiro escalão, especialmente em pastas com forte capilaridade regional.
Riscos e preocupações
Essa ofensiva ocorre em um momento delicado, onde a governabilidade depende de votações cruciais no Congresso. Ao optar pelo confronto e pela limpeza de cargos, o Planalto sinaliza que prefere o risco de uma paralisia legislativa a manter aliados que, na visão de Lula, agem como oposicionistas disfarçados. Para o setor produtivo, essa instabilidade entre o Executivo e o Senado gera preocupações, aumentando as incertezas sobre o cumprimento da agenda econômica para o segundo semestre do ano.