Região Sul
RS pode receber o 1º projeto de energia eólica flutuante do Brasil
Projeto da empresa japonesa JB Energy será instalado em águas profundas próximo ao Porto de Rio Grande, com operações em 2029
A empresa japonesa JB Energy, especializada em energia eólica offshore, apresentou ao governo do Rio Grande do Sul o projeto-piloto Aura Sul Wind. Com um investimento inicial estimado em US$ 100 milhões, a iniciativa inédita no país prevê a instalação de estruturas de geração de energia em águas profundas próximas ao Porto de Rio Grande, com previsão de início das operações para 2029.
A inovação do projeto baseia-se no uso de plataformas flutuantes modulares, construídas em concreto armado, projetadas especificamente para áreas com mais de 50 metros de profundidade, onde estruturas fixas não são viáveis. Esse modelo permite que as peças sejam montadas em área portuária e posteriormente rebocadas para o alto-mar, o que reduz tanto o tempo quanto os custos de construção. A estrutura tem uma vida útil estimada de 25 anos.
Além da eficiência, a tecnologia japonesa promete menor impacto ambiental e visual, uma vez que as torres ficarão mais afastadas da costa, exigindo também baixa necessidade de manutenção marítima. O empreendimento é fruto de uma parceria entre Japão e Brasil, com o objetivo de adaptar a engenharia estrangeira à cadeia de produção nacional.
Segundo a JB Energy, a escolha do litoral gaúcho considerou o forte potencial dos ventos na região e, principalmente, a infraestrutura naval já consolidada em Rio Grande. O polo industrial local possui histórico na construção de projetos offshore, especialmente por sua atuação anterior na área de óleo e gás.
O Aura Sul Wind encontra-se em fase inicial de desenvolvimento, mas já deu o primeiro passo para o licenciamento ambiental com a obtenção do termo de referência do Ibama. Simultaneamente, a empresa iniciou diálogos com universidades e entidades da indústria gaúcha para firmar parcerias na cadeia produtiva.
A proposta, que começou a ser desenhada em encontros com a Portos RS, Invest RS e secretarias de governo, é avaliada pelo Estado como uma peça-chave na estratégia de ampliação de fontes renováveis e desenvolvimento do setor energético na região.