quarta-feira, 07 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O pacto de R$ 130 bilhões pela modernização elétrica

O anúncio da renovação antecipada de concessões elétricas em 13 estados, realizado nessa sexta-feira, dia 8, marca a maior reestruturação do setor desde as privatizações da década de 1990. Ao garantir investimentos de R$ 130 bilhões até 2030, o Governo Federal não apenas assegura a manutenção do sistema, mas impõe uma nova ordem: o fim da era da “eficiência média” em favor da qualidade real por bairro. A energia elétrica é o insumo básico da cidadania e da produtividade e os contratos firmados há 30 anos já não suportavam os desafios climáticos e tecnológicos de 2026.

Com essa renovação, o poder público muda os indicadores de desempenho desses contratos. Pela primeira vez, a satisfação do consumidor e a agilidade na resposta a eventos climáticos extremos tornam-se cláusulas pétreas para a manutenção das concessões. O ministro Alexandre Silveira foi incisivo ao pontuar que a medição da qualidade deixará de ser uma média aritmética da área de concessão para ser avaliada por localidade, garantindo que a periferia receba o mesmo padrão de estabilidade que os centros financeiros. Essa “regionalização da qualidade” é a ferramenta mais eficaz para combater a desigualdade na prestação de serviços públicos essenciais.

A exclusão da Enel desta rodada de renovações e as críticas diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviam um recado inequívoco ao mercado: a confiança do Estado é condicional ao cumprimento rigoroso das metas. O Brasil de 2026 exige distribuidoras que não apenas operem fios, mas que invistam em digitalização de redes, proteção de dados e na regularização do compartilhamento de postes — um gargalo histórico que afeta tanto a estética urbana quanto a eficiência das telecomunicações. A exigência de comprovação anual de capacidade financeira e operacional blinda o setor contra empresas que priorizam dividendos em detrimento da manutenção preventiva.

Paralelamente, a ampliação do Luz para Todos para 233 mil novas famílias, com foco no uso produtivo da energia, transforma o programa de uma ação de assistência em uma ferramenta de desenvolvimento econômico. Ao permitir equipamentos de maior potência em áreas remotas, o Governo possibilita que comunidades da Amazônia e de regiões isoladas processem sua produção local, agregando valor e gerando renda. O sucesso desta rodada de R$ 130 bilhões será medido pela capacidade das empresas em transformar esse capital em uma rede elétrica resiliente, inteligente e, acima de tudo, justa para todos os brasileiros.

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