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Jornal BE News - Edição de Hoje

Petróleo e Gás

Petrobras lucra R$ 32,7 bilhões no trimestre, mas resultado cai 7,2%

Atualizado em: 12 de May de 2026 às 10:45
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Estatal ampliou produção de petróleo e derivados, registrou recordes no pré-sal e dobrou lucro na comparação com o fim de 2025

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 7,2% inferior ao obtido no mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira (11). Na comparação com o quarto trimestre de 2025, porém, o desempenho mais que dobrou, com alta de 110% sobre os R$ 15,6 bilhões registrados nos últimos três meses do ano passado.

O Ebitda ajustado — indicador que mede a geração de caixa operacional da empresa — somou R$ 59,6 bilhões entre janeiro e março, queda de 2,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Sem os eventos considerados exclusivos pela estatal, o Ebitda ajustado teria alcançado R$ 61,7 bilhões, avanço de 4,5% sobre o trimestre anterior.

O resultado refletiu a valorização do petróleo no mercado internacional, o aumento da produção própria e a maior venda de derivados, além da valorização do real frente ao dólar. O barril do petróleo tipo Brent passou de US$ 63,69 no fim de 2025 para US$ 80,61 no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano passado, a commodity era negociada a US$ 75,66.

Por considerar apenas os primeiros meses do ano, o balanço incorpora parcialmente os efeitos da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro e responsável por pressionar os preços internacionais do petróleo.

Segundo a Petrobras, a geração operacional de caixa permaneceu elevada, alcançando R$ 44 bilhões no trimestre. A estatal informou ainda que a produção total própria cresceu 16% na comparação anual, atingindo recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). A produção total operada chegou a 4,65 milhões de boed, enquanto a produção própria no pré-sal alcançou 2,66 milhões de boed.

A companhia afirmou que o aumento da produção foi acompanhado por maior desempenho do parque de refino e crescimento da produção de derivados. Entre janeiro e março, foram produzidos 1,81 milhão de barris por dia de derivados, volume 6,7% superior ao do quarto trimestre do ano passado. Segundo a estatal, 68% da produção foi composta por derivados de maior valor agregado, como diesel, gasolina e querosene de aviação.

Em março, a Petrobras registrou recorde mensal de produção de diesel S-10 nas refinarias, com 512 mil barris por dia. O fator de utilização do parque de refino ficou em 95% no trimestre, chegando a 97,4% em março, maior utilização mensal desde dezembro de 2014.

“Nossos investimentos estão se convertendo em crescimento da produção de petróleo e de derivados, demonstrando a solidez e a eficácia da nossa estratégia de criação de valor. Batemos, mais uma vez, recordes de produção de petróleo e gás e estamos convertendo em ganhos toda a eficiência de nossas refinarias”, afirmou o diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo.

Os investimentos da estatal somaram R$ 26,8 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025. A dívida bruta encerrou março em US$ 71,2 bilhões, dentro do limite previsto no Plano de Negócios 2026-2030, que estabelece teto de US$ 75 bilhões.

Dividendos

A Petrobras também aprovou a distribuição de R$ 9 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio relativos ao trimestre. Segundo a companhia, os pagamentos de tributos, royalties e participações especiais somaram R$ 72,4 bilhões no período, destinados à União, estados e municípios.

Entre os destaques operacionais, a estatal informou ter concluído a negociação para contratação de dois navios-plataforma do tipo FPSO para os projetos SEAP I e II. A empresa também anunciou a renovação da licença operacional para perfuração de mais dois poços exploratórios na Margem Equatorial.

No mercado internacional, a Petrobras ampliou sua atuação na África com a aquisição de 42,5% de participação em um bloco offshore na Namíbia e da operação do bloco 3, em São Tomé e Príncipe. A companhia também adquiriu 50% de participação no campo de Tartaruga Verde e no módulo III do campo de Espadarte.

A estatal reportou ainda novas descobertas exploratórias no pré-sal da Bacia de Campos e informou ter realizado sua terceira descoberta de gás na Colômbia, no poço Copoazú-1.

Na área de geração térmica, a empresa informou que nove usinas termelétricas foram contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, totalizando cerca de 2,6 gigawatts de potência entre 2026 e 2031, com receita fixa estimada em R$ 44 bilhões ao longo dos contratos.

A companhia também anunciou novos contratos para exportação de petróleo à Índia e firmou acordo com a Vale para fornecimento de diesel S-10 com 15% de biodiesel em Minas Gerais.

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