Mineração
Vale revisa projeções para 2026 após impacto do conflito no Oriente Médio
Mineradora estima incremento de US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre com alta do minério de ferro, valorização do petróleo e operações de hedge
A Vale atualizou suas projeções para 2026 em razão da variação esperada no fluxo de caixa livre do segmento de Soluções de Minério de Ferro, considerando as condições de mercado decorrentes do conflito no Oriente Médio e as sensibilidades de EBITDA e de fluxo de caixa do segmento de Níquel da Vale Base Metals. Segundo a mineradora, a revisão considera os efeitos observados antes e depois do agravamento das tensões na região.
A companhia estima um incremento de aproximadamente US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre em 2026. Desse total, cerca de US$ 1,2 bilhão deverão vir do aumento do EBITDA do segmento de Soluções de Minério de Ferro. Outros aproximadamente US$ 425 milhões devem ser gerados por programas de hedge cambial e de combustível, enquanto os investimentos de manutenção devem registrar acréscimo de cerca de US$ 0,1 bilhão.
A estimativa considera dois cenários distintos. No cenário pré-conflito, a Vale utilizou os preços médios observados em janeiro e fevereiro de 2026, aplicados a todo o ano: minério de ferro a US$ 102 por tonelada, petróleo Brent a US$ 67 por barril, bunker a US$ 490 por tonelada e câmbio de R$ 5,27 por dólar.
Já no cenário pós-conflito, a mineradora considerou o desempenho realizado entre janeiro e abril de 2026 e os preços spot atuais aplicados ao período de maio a dezembro deste ano. Nesse caso, as projeções consideram minério de ferro a US$ 112 por tonelada, Brent a US$ 104 por barril, bunker a US$ 675 por tonelada e câmbio de R$ 4,90 por dólar.
O bunker é um dos principais combustíveis utilizados no transporte marítimo de cargas e tem impacto direto sobre os custos logísticos da mineração, especialmente no escoamento internacional de minério de ferro. Já os programas de hedge mencionados pela companhia têm o objetivo de reduzir a exposição da empresa às oscilações cambiais e às variações nos preços de combustíveis.
As projeções do segmento de metais básicos terão como referência os preços de consenso dos analistas para 2026 de US$ 12.660 por tonelada para cobre; US$ 54.650 por tonelada para cobalto; US$ 5 mil por onça troy para ouro; US$ 2.170 por onça troy para platina; e US$ 1.680 por onça troy para paládio.
Para 2027, a Vale utilizará como referência os preços de consenso de US$ 12.220 por tonelada para cobre; US$ 48.550 por tonelada para cobalto; US$ 5 mil por onça troy para ouro; US$ 2.070 por onça troy para platina; e US$ 1.500 por onça troy para paládio.
O segmento de metais básicos da Vale reúne operações ligadas à produção de níquel, cobre e outros minerais utilizados em cadeias industriais e de transição energética, incluindo a fabricação de baterias, equipamentos elétricos e componentes eletrônicos.
As demais estimativas permanecem inalteradas. A Vale esclareceu que as informações divulgadas constituem estimativas baseadas em premissas e dados hipotéticos, não representando promessa ou garantia de desempenho. Segundo a companhia, as projeções estão sujeitas a riscos e incertezas, incluindo fatores de mercado fora do controle da empresa, e poderão sofrer alterações futuras.