Mercosul Export
Brasil larga na frente na transição energética, mas desafios persistem
Participação elevada de biocombustíveis e testes com novas alternativas colocam o país em posição estratégica no setor
O Brasil já ocupa uma posição de destaque na transição energética global, especialmente pela forte presença de combustíveis alternativos em sua matriz. A avaliação é de Sergio Araujo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que aponta vantagens competitivas do país, mas também desafios, sobretudo no setor logístico e portuário.
O debate sobre transição energética ocorreu durante o painel “Energia e mineração – Desafios logísticos para distribuição e comercialização integrada”, dentro do Fórum Mercosul Export, nesta quinta-feira (14), em Buenos Aires, na Argentina.
“O Brasil tem uma posição privilegiada. Hoje, os principais combustíveis utilizados no país já têm uma participação bastante relevante de combustíveis alternativos. A transição (energética) já começou há algum tempo, desde o Proálcool”, disse, ao relembrar a política que incentivou o uso do etanol no país.
Atualmente, a presença de biocombustíveis é bastante significativa, com presença de 30% de etanol na gasolina consumida, e também no diesel, que possui 15% de biodiesel. O presidente da Abicom, destacou que essa base consolidada reforça o potencial brasileiro diante das mudanças globais no setor energético.
Ele também ressalta a capacidade produtiva nacional como um diferencial. “Existe uma capacidade de produção bastante relevante, e a nossa matriz energética é privilegiada”, afirmou.
Apesar dos avanços, o executivo chama atenção para os desafios que ainda precisam ser superados, especialmente no transporte marítimo.
“Não sei se os portos estão preparados, mas a indústria está com isso na pauta permanente”, reforçou. A adaptação da infraestrutura será essencial para acompanhar a evolução dos combustíveis utilizados na navegação.
Nesse sentido, novas alternativas já começam a ganhar espaço. O presidente da Abicom citou testes de navios utilizando etanol, e também existem iniciativas com hidrogênio. Essas experiências, segundo o executivo, indicam uma tendência de diversificação energética no setor, ainda em estágio inicial, mas em expansão.
O painel contou com as participações de Darlan Carvalho, presidente da LHG Mining, e Pablo Genta, presidente da Administração Nacional de Portos do Uruguai. A moderação foi do jornalista Leopoldo Figueiredo, diretor-geral da Rede BE News.