quarta-feira, 07 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O impacto das infrações nos custos das transportadoras

Levantamento realizado pela empresa de gestão de frotas e rastreamento de veículos pesados Frota 162 expõe uma ferida crônica na eficiência do transporte rodoviário de cargas no Brasil: a falta de controle sobre o comportamento dos motoristas e a burocracia documental. O fato de a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrar infrações em até 25% dos caminhões abordados não é apenas um dado estatístico alarmante; é o reflexo de um modelo de gestão que muitas vezes aceita o prejuízo como parte do negócio. Tratar multas por excesso de velocidade e licenciamento vencido como “custos fixos inevitáveis” é um erro que corrói silenciosamente a rentabilidade das empresas em um setor que já opera com margens historicamente apertadas.

A análise do CEO da Frota 162, Marcelo Lemos, acerta ao puxar o debate para além do boleto da penalidade. O verdadeiro rombo financeiro reside nos custos indiretos e na reincidência. O excesso de velocidade não gera apenas pontos na carteira do motorista; ele altera a física da operação do veículo pesado. O esforço adicional exigido pelo motor e pelo sistema de frenagem resulta em um aumento imediato no consumo de combustível — o principal insumo do transporte — e acelera o desgaste de componentes caros, como pneus, pastilhas e suspensão, antecipando as paradas para manutenção corretiva.

No campo da documentação, a negligência com prazos de licenciamento assume contornos ainda mais graves quando o caminhão é retido em um posto de fiscalização. A indisponibilidade operacional de um veículo pesado quebra a promessa de entrega, gera multas contratuais por atraso com os embarcadores e desorganiza todo o planejamento logístico de retorno da frota. Em frotas de grande porte, tentar gerenciar esses prazos e o comportamento de centenas de motoristas de forma analógica, sem o suporte de ferramentas automatizadas, é uma estratégia fadada ao fracasso.

A sobrevivência e a competitividade das transportadoras passam necessariamente pela digitalização e pelo uso estratégico de dados. Implementar telemetria para monitorar o comportamento de direção em tempo real e softwares de controle automatizado de documentação não é mais um diferencial tecnológico, mas um requisito básico de sobrevivência de mercado. O setor precisa compreender que a prevenção de infrações é o caminho mais rápido para estancar a perda de caixa, transformando o que antes era gasto com penalidades em investimento na sustentabilidade e na previsibilidade da operação.

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