Rodovias
Multas e irregularidades pressionam operação de transporte rodoviário de cargas
Levantamento aponta excesso de velocidade e falhas de documentação entre os principais fatores de custo para transportadoras
Infrações relacionadas ao excesso de velocidade e problemas com documentação de veículos estão entre os principais fatores de aumento de custos para transportadoras no Brasil, segundo levantamento da Frota 162, empresa especializada em gestão de frotas e rastreamento de veículos pesados. De acordo com a companhia, além das multas aplicadas durante fiscalizações, irregularidades recorrentes também provocam impactos indiretos sobre manutenção, consumo de combustível e disponibilidade operacional dos caminhões.
O transporte rodoviário concentra a maior parte da movimentação de cargas do país e registra volume elevado de ocorrências envolvendo veículos pesados. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que até 25% dos caminhões abordados em operações de fiscalização apresentam algum tipo de infração.
Segundo a Frota 162, entre as ocorrências mais frequentes estão o excesso de velocidade e falhas ligadas à documentação dos veículos, como licenciamento vencido. A empresa afirma que esse tipo de irregularidade costuma estar associado a problemas de gestão operacional, especialmente em frotas de grande porte, onde o acompanhamento simultâneo de motoristas, veículos e prazos exige monitoramento contínuo.
“O problema vai além da penalidade em si e está diretamente ligado à gestão da operação. Grande parte dessas infrações poderia ser evitada com processos mais estruturados. Quando a empresa não tem visibilidade sobre o comportamento do motorista ou o status da documentação, o risco de multa deixa de ser exceção e passa a fazer parte da rotina”, afirmou o CEO da Frota 162, Marcelo Lemos.
Além das penalidades financeiras, as infrações podem gerar retenção de veículos em fiscalizações, atrasos nas entregas e impactos sobre o planejamento logístico das transportadoras. Segundo a empresa, o excesso de velocidade também está associado ao aumento do consumo de combustível e ao desgaste acelerado de componentes mecânicos dos caminhões.
Conforme Marcelo Lemos, os custos indiretos tendem a se acumular ao longo do tempo quando não existe controle sistemático sobre o histórico operacional da frota.
“O custo da infração não se limita ao valor da multa. Existe um impacto indireto importante, que envolve desde manutenção até aumento de risco operacional. Quando isso se repete ao longo do tempo, o efeito no caixa da transportadora é significativo”, disse.
A empresa avalia que um dos principais desafios do setor está na reincidência das infrações. Sem acompanhamento estruturado, penalidades sucessivas podem comprometer a previsibilidade financeira da operação e afetar a disponibilidade da frota em situações de retenção ou restrições legais.
Segundo a Frota 162, o uso de ferramentas de monitoramento de condução, rastreamento de veículos e controle automatizado de documentação tem se tornado cada vez mais presente nas operações de transporte rodoviário de cargas, principalmente em empresas que buscam reduzir custos operacionais e evitar interrupções na circulação dos veículos.
“Hoje, a gestão de frotas passa necessariamente por dados. Monitorar comportamento de direção, controlar prazos de documentação e atuar de forma preventiva são medidas que reduzem custos e aumentam a eficiência. Não é apenas sobre evitar multas, mas sobre ter uma operação mais sustentável no longo prazo”, afirmou Marcelo Lemos.