Internacional
Hezbollah exige o fim das conversas entre Líbano e Israel
Líder rejeita qualquer acordo para desarmamento do grupo xiita. EUA reage e diz que o fim da organização está próximo
O secretário-geral do partido-milícia xiita Hezbollah, Naim Qasem, reiterou neste domingo, em um discurso, sua rejeição a qualquer iniciativa de desarmamento da organização que levaria, em sua opinião, a “um novo genocídio israelense no Líbano”.
“O monopólio das armas é o atual projeto israelense e quem quer que se oponha a nós ao lado de Israel será enfrentado da mesma forma que enfrentamos Israel”, advertiu Qasem em sua intervenção, divulgada pela mídia libanesa.
“Não pedimos ao Estado que enfrente o projeto americano-israelense, mas pelo menos ele não deveria facilitá-lo”, afirmou antes de alertar que o objetivo final de Israel é desarmar o Líbano e ocupá-lo progressivamente.
Qasem aproveitou também para criticar as concessões do governo libanês e suas negociações com Israel, apesar da presença militar israelense em solo libanês e dos contínuos ataques de suas forças militares.
Em particular, ele relembrou o Dia da Libertação, comemorado neste dia 24 de maio em memória do dia da retirada israelense do sul do Líbano após 18 anos de ocupação. “A resistência estava ao lado do exército e do povo numa tríade que foi capaz de alcançar o marco da libertação”, destacou.
Ele relembrou assim os acordos “humilhantes” assinados entre o Líbano e Israel e como a sua anulação “foi um passo para a libertação”. “As concessões das autoridades libanesas continuaram até a criminalização da resistência”, observou ele sobre a situação até 2000, comparando-a com a assinatura do acordo de cessar-fogo com Israel, que não impediu os ataques “enquanto o Estado libanês não foi capaz de aplicá-lo”.
Qasem criticou que “o Estado libanês nos diz: ajudem-nos a desarmar-se para que Israel possa entrar e matá-los e expulsar o seu povo”.
EUA
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington apoia o governo do Líbano e que ameaças do Hezbollah “não terão sucesso”. A declaração, feita no X e depois reforçada em comunicado do Departamento de Estado, veio horas depois de o líder do grupo xiita apoiado pelo Irã, Naim Qasem, rejeitar o desarmamento da organização e pressionar Beirute a abandonar as negociações com Israel.
“A era em que um grupo terrorista mantinha uma nação inteira como refém está chegando ao fim”, escreveu Rubio. Em comunicado, o secretário acusou o Hezbollah de ignorar pedidos das autoridades libanesas para cessar ataques e respeitar o cessar-fogo, de continuar a bombardear posições israelenses e de deslocar combatentes e armamentos para o sul do país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no fim de semana que as negociações com Teerã avançavam, embora ainda não tenham uma definição. Uma nova rodada de conversas entre Líbano e Israel está prevista para junho, em Washington.