Ferrovias
Governadores do Codesul assinam ofício contrário a fragmentação da Malha Sul
Documento foi enviado ao Ministério dos Transportes e diverge da proposta de três leilões distintos do atual trecho ferroviário
Os governadores dos estados que integram o Codesul (Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul) formalizaram posição contrária ao modelo proposto pelo Governo Federal para a nova concessão da Malha Sul ferroviária. Em ofício encaminhado ao Ministério dos Transportes, o grupo critica a fragmentação da licitação em três trechos distintos e defende uma alternativa que preserve a integração logística da região.
O documento é assinado pelo presidente do Codesul e governador do Paraná, Ratinho Júnior, além dos governadores Jorginho Mello (Santa Catarina), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul). Também subscrevem o texto representantes de federações da indústria, agricultura, associações empresariais e cooperativas dos quatro estados.
A proposta do governo federal prevê a divisão da Malha Sul em três corredores — Paraná/Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mercosul — com leilões separados. A justificativa é aumentar a atratividade para investidores. Os governadores, no entanto, avaliam que o modelo não atende às necessidades de recuperação e fortalecimento do transporte ferroviário na região Sul, responsável por cerca de 18% do PIB nacional.
No ofício, os estados também criticam a falta de participação no processo de elaboração do projeto. Segundo o documento, não houve compartilhamento dos estudos técnicos conduzidos pela Infra S.A., o que, na avaliação do grupo, compromete o diálogo institucional e a possibilidade de contribuições qualificadas.
Como alternativa, o Codesul propõe que a concessão seja estruturada em bloco único, o que, segundo os governadores, garantiria maior eficiência operacional, escala econômica e coerência logística. O grupo também solicita acesso aos estudos técnicos, solução para passivos da concessão atual — incluindo trechos abandonados ou degradados — e garantia de continuidade dos serviços durante a transição entre contratos.
Os estados informaram ainda que pretendem contratar um estudo técnico complementar para contribuir com a definição do novo modelo de concessão.
Atualmente operada pela Rumo, a Malha Sul tem contrato válido até 2027 e abrange cerca de 7,2 mil quilômetros de ferrovias, passando por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de trechos em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Nos últimos anos, governadores da região têm manifestado preocupação com a deterioração da infraestrutura, cenário agravado por eventos recentes, como a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024.
O governo federal prevê a realização de oito leilões ferroviários no país, com expectativa de cerca de R$ 140 bilhões em investimentos para ampliação, recuperação de trechos e criação de novos corredores logísticos.