Comércio exterior
Arco Norte exporta 58 milhões de toneladas de grãos e ultrapassa Paranaguá
Em quatro anos, complexo portuário do Norte cresceu 59% nos embarques de soja e milho e assumiu a liderança na entrada de fertilizantes no país
O complexo portuário do Arco Norte encerrou 2025 com 58,06 milhões de toneladas de soja e milho embarcadas, o maior volume já registrado pelo complexo. Os dados são do Anuário Agrologístico 2026 e mostram que, em quatro anos, os embarques cresceram 59%. No ano de 2021, o total registrou 36,56 milhões de toneladas. Esse desempenho coloca o Arco Norte à frente de Santos e Paranaguá no escoamento da produção de grãos do país.
O resultado não acontece por acaso. A combinação entre investimentos em infraestrutura portuária, proximidade com as regiões produtoras do Centro-Oeste e a vantagem dos fretes de retorno tornou os portos do Norte cada vez mais competitivos. Enquanto Paranaguá e Santos precisam absorver a produção que chega por rodovias e ferrovias de maior percurso, o Arco Norte encurta o caminho entre a lavoura e o navio.
No caso da soja, o Brasil exportou 108,18 milhões de toneladas em 2025, volume 9,48% acima do ano anterior. O Arco Norte ficou com 36,2% desse total, contra 32% de Santos e 13,4% de Paranaguá. Mato Grosso liderou as exportações da oleaginosa, seguido por Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. A concentração da produção no Centro-Oeste ajuda a explicar por que os portos do Norte ganham terreno: a rota é mais curta e o frete, mais barato.
O milho seguiu o mesmo caminho. As exportações chegaram a 40,98 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 3% em relação ao ano anterior, e quase metade desse volume saiu pelos terminais do Arco Norte. Mato Grosso concentrou mais da metade das vendas externas do cereal, com Goiás na segunda posição entre os estados exportadores.
RANKING
Dentro do complexo, o porto de Itaqui, no Maranhão, registrou uma das maiores evoluções do período. Em 2021, o terminal embarcou 11,55 milhões de toneladas. Em 2025, esse número chegou a 20,14 milhões.
Barcarena, no Pará, também ampliou sua participação no período. O terminal se beneficia da posição geográfica favorável para receber a produção do norte do Mato Grosso e do sul do Pará, duas das regiões que mais expandiram a área plantada nos últimos anos. A infraestrutura instalada no entorno do porto acompanhou esse movimento e aumentou a capacidade de armazenagem e movimentação de granéis.
Itacoatiara, no Amazonas, foi o terminal com crescimento mais expressivo no período. Os embarques saltaram de 3,83 milhões para 11,02 milhões de toneladas entre 2021 e 2025, quase triplicando o volume em quatro anos.
O crescimento nos embarques de grãos veio acompanhado de um movimento paralelo que reforça o peso do Arco Norte no agronegócio nacional. Em 2025, o complexo recebeu 13,36 milhões de toneladas de fertilizantes importados e ultrapassou Paranaguá, que registrou 10,89 milhões de toneladas.
Ainda de acordo com os dados apresentados, entre 2021 e 2025, a entrada de fertilizantes pelo Arco Norte cresceu 62,7%, enquanto Paranaguá apresentou retração de 0,8% no período.
O porto de Itaqui respondeu por 34% desse volume, seguido por Santarém, no Pará, com 22%, e Salvador, com 21%, atendendo principalmente a demanda agrícola do Matopiba.
QUEDA
Em meio ao avanço geral, um dado chama atenção. Os embarques de milho pelo porto de Itaqui, principal saída da produção do Matopiba, recuaram de 5,57 milhões de toneladas em 2023 para 2,73 milhões em 2024 e chegaram a 1,41 milhão em 2025.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) atribui o recuo ao aumento do consumo interno, puxado pela expansão da produção de etanol de milho em estados do Nordeste.
O grão que antes seguia para exportação passou a abastecer usinas instaladas na própria região, o que reduziu o volume disponível para embarque. A tendência deve se manter enquanto a capacidade instalada das usinas continuar crescendo.