Santos Export
Mulheres ocupam menos de 20% das vagas abertas no setor logístico
Além da desigualdade de gênero, o setor de infraestrutura enfrenta desafios relacionados à falta de diversidade étnica, etária e inclusão de PCDs
Durante a programação do Santos Export, realizado nesta quinta-feira (28), um painel 100% feminino debateu os desafios e os avanços das pautas ESG, com foco na diversidade e inclusão. Com mediação de Núria Bianco, a discussão mostrou a importância de transformar um ambiente tradicionalmente dominado por homens, indo além do cumprimento de cotas.
Atualmente, as mulheres ocupam menos de 20% das vagas abertas no setor logístico, um número que costuma ser ainda menor na área portuária que envolve operações, devido a barreiras culturais e justificativas ligadas à ‘segurança operacional’. Além da desigualdade de gênero, o setor de infraestrutura enfrenta desafios relacionados à falta de diversidade étnica, etária e de inclusão de Pessoas com Deficiência (PCD).

Mudanças
Para reverter esse cenário, empresas vêm adotando metas agressivas e mudando suas culturas. Béatrice Dupuy, gerente executiva de Comunicação Corporativa & Sustentabilidade da Santos Brasil, revelou que a companhia estabeleceu metas até 2030 para alcançar 20% de mulheres no quadro geral e 35% na liderança, além de já ter atingido a marca de 30% de pessoas negras em posições de chefia.
A gerente ainda criticou a visão superficial da inclusão, afirmando que a contratação não pode ser feita apenas para preencher números legais. “Eu não contrato PCD, eu contrato profissionais”, citou. A executiva reforçou que a verdadeira inclusão ocorre quando o profissional ‘permanece, cresce e se sente pertencente’.
Nina Barbosa, Secretária da Mulher de Santos, apresentou os resultados do programa “Emprega Mulher”. Em uma iniciativa recente, 40 mulheres foram capacitadas como vistoriadoras de contêineres, o que já resultou na primeira contratação na área do Porto. “Quando a gente ajuda uma mulher, a gente ajuda toda uma sociedade”, ressaltou a secretária, lembrando que as mulheres são as principais chefes de família no Brasil.
No campo das neurodivergências, Fabíola Souza Julião, fundadora do Instituto Autismo Brasil, e a advogada Flávia Sammarco debateram a necessidade do ’emprego apoiado’. A fundadora do instituto alertou para o perigo do ‘capacitismo’ e destacou que o objetivo final do Instituto é que as cotas fiquem no passado, transformando a inclusão em uma possibilidade real de crescimento produtivo para as empresas, e não apenas uma ‘dor’ a ser resolvida.
Quebrando o protocolo oficial, Fabrício Julião, CEO do Grupo Brasil Export e marido de Fabíola, celebrou o fato de que, ao longo de mais de duas décadas de fórum, era ‘impensável’ ver um painel exclusivamente feminino e uma plateia composta por mais de 40% de mulheres.