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João Eduardo de Villemor Amaral Ayres e Rebecca Alonso Nascimento

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Um ciclo que se renova: a jornada humana do Conselho ESG

Abrimos esta coluna de hoje não para trazer temas técnicos, mas temas humanos e desafios que todos nós temos no dia a dia. Ao olhar para a trajetória do Conselho ESG do Brasil Export, de 2021 até aqui, o que aparece com mais força não são apenas números, eventos ou entregas concretas, mas as pessoas, as conversas e a confiança que fomos construindo ao longo de mais de cinco anos de trabalho contínuo.

Quando o Conselho nasceu, lá em 2021, a ideia era simples e ambiciosa ao mesmo tempo: criar um espaço permanente para que logística, infraestrutura e transportes pudessem discutir sustentabilidade, responsabilidade social e governança de forma prática, conectada com a realidade do País. Com o tempo, esse espaço foi ganhando corpo, sotaques de todas as regiões, olhares diferentes sobre os mesmos problemas e, principalmente, um propósito compartilhado: impulsionar a transição para um modelo econômico mais sustentável, unindo impacto ambiental, social e econômico e colocando o planeta no centro da decisão.

Nesse percurso, passaram pelas reuniões do Conselho representantes do poder público, de reguladores, concessionárias, operadores de infraestrutura, startups, entidades de fomento, empresas de diversos portes, organizações dedicadas ao ESG e tantas outras instituições que, a cada encontro, ampliavam o repertório e nos lembravam de que ninguém muda uma agenda dessa sozinho. Por trás de cada logo, marca, crachá ou representação institucional,  estavam pessoas que reservaram tempo na agenda para compartilhar aprendizados, expor vulnerabilidades, contar o que deu certo e, não menos importante, o que ainda não deu.

Uma parte importante dessa história ficou registrada nos e-books que o Conselho ajudou a construir: “ESG como Oportunidade”, “Sustentabilidade como Oportunidade” e suas diferentes edições, de 2022 em diante. Ali estão os artigos que consolidaram o ESG como pauta permanente, os textos que ligaram economia circular, finanças sustentáveis, infraestrutura, acordo EU-Mercosul e novos caminhos de industrialização em uma mesma conversa. 

Mas quem viveu as reuniões sabe que, antes de virarem páginas diagramadas, esses conteúdos nasceram de debates calorosos, divergências respeitosas e da disposição de traduzir conceitos complexos em linguagem acessível, sem perder a profundidade.

Ao longo desse ciclo, tivemos também a oportunidade de ver o Conselho sair do papel e ganhar sala de aula, com formações executivas voltadas a lideranças que precisavam transformar o discurso em decisão e processo. A cada turma, ficava mais evidente que sustentabilidade, no nosso contexto, é menos sobre respostas prontas e mais sobre fazer boas perguntas: que risco estamos assumindo sem enxergar? Que oportunidades estamos deixando passar? Que tipo de legado queremos deixar nos territórios onde atuamos? Essas perguntas, muitas vezes, continuaram ecoando muito depois das reuniões terminarem, e talvez esse seja um dos sinais de que a jornada valeu a pena.

Nada disso teria acontecido sem o apoio de quem acreditou no Conselho desde o início. O Brasil Export, em especial seu CEO, Fabrício Julião, e todo o time que sustenta o fórum no dia a dia, deu liberdade, estrutura e confiança para que o colegiado se consolidasse como referência e pudesse ousar em temas e formatos. Cada conselheira e cada conselheiro, vindos das cinco regiões do País, trouxe não só sua experiência técnica, mas também sua história pessoal, seus contextos e seus dilemas, ajudando a construir um ambiente de diálogo franco, em que era possível aprender, discordar, recomeçar, sem perder de vista o objetivo comum.

Por tudo isso, este não é um texto de despedida, mas de agradecimento e renovação. Agradecimento a todos que caminharam até aqui, ajudando a transformar o Conselho ESG em um espaço vivo, plural e respeitado. E renovação porque, como todo ciclo que se conclui, o nosso também abre espaço para novos olhares, novas energias e novas lideranças. 

É com esse espírito que damos as boas-vindas à nova presidenta do Conselho, Béatrice de Toledo Dupuy, certos de que ela saberá honrar o legado construído e, ao mesmo tempo, imprimir a sua visão a essa próxima fase. Seguiremos por perto, agora em outra posição, torcendo para que o Conselho ESG continue fazendo aquilo que sempre fez de melhor: aproximar pessoas, setores e ideias em torno de uma agenda que não é de um grupo, de uma empresa ou de um governo, mas de todos nós.

João Eduardo de Villemor Amaral Ayres e Rebecca Alonso Nascimento escrevem quinzenalmente para o BE News.

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