terça-feira, 06 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
Opinião

Artigos

Bruno Galoti Orlandi

Clique para ver mais

Articulista

Portos e modais: o valor da integração 

Um conceito que venho reforçando ao longo destes artigos é a importância da integração entre os modais. A ampliação do uso da cabotagem, de forma articulada com os demais meios de transporte, pode contribuir para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência das cadeias produtivas e otimizar o uso da infraestrutura existente.

Rodapé: Com este artigo, Bruno Galoti Orlandi passa a escrever quinzenalmente para o BE News, com seus textos publicados às segundas-feiras.

Durante a missão internacional à França, em 2025, um detalhe no trajeto entre Paris e Marselha me chamou atenção: a quase inexistência de caminhões nas rodovias, mesmo em um dos principais eixos logísticos da Europa. Não por ausência de atividade econômica, ao contrário, mas por uma matriz logística estruturada de forma complementar.

Quando observamos experiências internacionais bem-sucedidas, como a missão organizada pelo Brasil Export que participei no último ano, pudemos ver de perto um modelo logístico que evidencia o potencial dessa integração.

Na França, grande parte das cargas que chegam aos portos é redistribuída por meio de sistemas integrados que combinam transporte ferroviário e hidroviário. A utilização de barcaças em rios e canais navegáveis permite o deslocamento de grandes volumes com eficiência, enquanto o transporte rodoviário segue desempenhando papel fundamental na capilaridade e na distribuição final.

Esse modelo não substitui um modal por outro, mas organiza melhor as funções de cada um dentro da cadeia logística, ampliando a eficiência do sistema como um todo.

A experiência francesa reforça uma constatação importante: países que investem na diversificação e na integração de modais conseguem ganhos relevantes de competitividade, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.

No Brasil, esse debate passa, necessariamente, pelo fortalecimento da cabotagem, o transporte marítimo entre portos do próprio país, e pela melhor utilização do potencial hidroviário ainda subexplorado.

Iniciativas como o programa BR do Mar representam avanços relevantes ao ampliar a oferta, estimular a entrada de novos operadores e trazer maior previsibilidade ao setor. Os resultados já começam a aparecer: a cabotagem brasileira movimentou mais de 220 milhões de toneladas em 2025, com crescimento consistente em diferentes regiões do país. O desafio, agora, está na consolidação desse avanço, com o fortalecimento da integração logística e o amadurecimento do ambiente regulatório.

O Porto de Santos, como principal hub logístico da América Latina, tem papel estratégico nesse contexto. Um conceito que venho reforçando ao longo destes artigos é a importância da integração entre os modais. A ampliação do uso da cabotagem, de forma articulada com os demais meios de transporte, pode contribuir para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência das cadeias produtivas e otimizar o uso da infraestrutura existente.

Mais do que uma alternativa, a cabotagem deve ser compreendida como parte de uma estratégia logística integrada. Em um cenário global cada vez mais competitivo, a eficiência depende da capacidade de combinar modais de forma inteligente, aproveitando o melhor de cada um.

A experiência internacional mostra que esse caminho é possível. O desafio brasileiro está em avançar na construção de um sistema logístico mais equilibrado, integrado e sustentável, no qual rodovias, ferrovias, hidrovias e portos atuem de forma complementar para impulsionar o desenvolvimento.

Bruno Galoti Orlandi. Secretário de Assuntos Portuários e Emprego da Prefeitura de Santos (SP), mestre e doutorando em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Compartilhe:
TAGS

Leia também