Transportes
Novo Manaus Moderna terá foco na movimentação de passageiros
Projeto de R$ 875,9 milhões inclui cais flutuantes, pontes móveis e áreas operacionais para reorganizar as atividades do terminal
O projeto de reestruturação do Terminal Manaus Moderna prevê uma ampliação da capacidade operacional da principal instalação hidroviária de passageiros da capital amazonense. Com investimentos de R$ 875,9 milhões e conclusão prevista para 2029, o empreendimento deverá permitir que o terminal movimente cerca de 3,5 milhões de passageiros por ano, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
Localizado às margens do Rio Negro, no centro de Manaus, o terminal é um dos principais pontos de conexão entre a capital e os municípios do interior do Amazonas. A estrutura é utilizada diariamente por passageiros e embarcações que realizam o transporte de pessoas e mercadorias entre comunidades ribeirinhas e centros urbanos da região.
O contrato para execução das obras foi assinado em março deste ano. O projeto é conduzido pelo Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A proposta prevê a construção de uma nova infraestrutura voltada ao embarque e desembarque de passageiros e à organização das operações hidroviárias. Entre as intervenções programadas estão novos cais flutuantes, pontes móveis de acesso às embarcações, áreas operacionais, estacionamentos, estação de tratamento de esgoto, subestação de energia e estruturas destinadas à acessibilidade.
Segundo o ministério, o projeto foi desenvolvido com foco prioritário na movimentação de passageiros, sem deixar de atender às operações de abastecimento realizadas pelo terminal. A instalação é utilizada para o transporte de mercadorias destinadas a municípios do interior do estado, incluindo alimentos, medicamentos e produtos de consumo.
A reestruturação também prevê a reorganização dos fluxos internos de circulação de embarcações, passageiros e cargas. A expectativa do governo federal é adequar a infraestrutura à demanda atual e futura do transporte hidroviário na região.
De acordo com o projeto apresentado pelo ministério, o terminal deverá atender diretamente Manaus e outros 61 municípios amazonenses. A obra inclui ainda áreas comerciais, restaurantes, espaços de convivência e melhorias urbanísticas no entorno da Feira da Banana, tradicional centro de comércio popular da capital.
Para o pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) João Alfredo, que desenvolve atividades junto a comunidades ribeirinhas por meio do Projeto Pé-de-Pincha, a infraestrutura hidroviária desempenha papel central na mobilidade regional. “Mais de 80% do transporte no Amazonas acontece pelos rios. É um sistema essencial para a população, que conecta comunidades inteiras. A segurança e a infraestrutura das embarcações são fundamentais para garantir deslocamentos mais eficientes”, afirmou.
Segundo informações do Ministério de Portos e Aeroportos, a estrutura atual do Manaus Moderna passou por adaptações ao longo dos anos para absorver o aumento da demanda, mas apresenta limitações operacionais diante do crescimento do fluxo de passageiros e embarcações.
O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, afirmou que a obra busca ampliar as condições de atendimento aos usuários do sistema hidroviário amazônico. Já o diretor de Gestão Hidroviária do ministério, Eliezé Bulhões, destacou que o terminal concentra uma parcela relevante da movimentação fluvial de passageiros da região Norte.
Com conclusão prevista para 2029, o projeto representa uma das maiores intervenções previstas para a infraestrutura hidroviária de passageiros da Amazônia. Segundo o governo federal, a nova estrutura deverá ampliar a capacidade de atendimento do terminal e reorganizar as operações de transporte fluvial realizadas diariamente na capital amazonense.