Rodovias
Obras do trecho final do Rodoanel Norte alcançam 68%
Conclusão dos serviços vão encerrar projeto iniciado há quase três décadas e completar o anel viário planejado para interligar as principais rodovias da Grande São Paulo
Projetado para reorganizar o tráfego de cargas na Região Metropolitana de São Paulo, o Rodoanel Mário Covas se aproxima da conclusão de seu último trecho. Segundo o Governo de São Paulo, as obras do Trecho Norte atingiram 68% de execução e devem ser concluídas ainda neste ano, permitindo o fechamento definitivo do anel viário concebido há quase três décadas.
O segmento em construção ligará a Rodovia Fernão Dias à Avenida Raimundo Pereira Magalhães, na zona norte da capital paulista. Com a entrega da etapa final, o Trecho Norte passará a contar com 44 quilômetros de extensão, completando o sistema projetado para interligar as principais rodovias que chegam à Grande São Paulo e criar uma alternativa para o transporte de cargas que hoje atravessa áreas urbanas.
A construção do Rodoanel começou em 1998. Já as obras do Trecho Norte tiveram início em 2013, mas enfrentaram interrupções ao longo dos anos. Após cerca de seis anos de paralisação, os trabalhos foram retomados em 2024 pelo governo estadual. A primeira entrega ocorreu em dezembro de 2025 e já está em operação. A segunda e última etapa tem inauguração prevista para o segundo semestre deste ano.
A execução do empreendimento envolve uma série de estruturas de engenharia de grande porte. O Trecho Norte possui 14 túneis, além de pontes, viadutos e obras de contenção distribuídas ao longo do traçado. Parte dessas estruturas permaneceu inacabada durante o período de paralisação.
De acordo com informações divulgadas pela concessionária Via SP Serra, responsável pelas obras, um dos túneis ficou sem intervenções durante aproximadamente sete anos. Nesse período, as estruturas permaneceram expostas à ação do tempo. Segundo relatos de engenheiros envolvidos no empreendimento, houve registros de pichações e utilização de áreas próximas aos túneis por moradores da região.
A retomada das obras exigiu a recuperação e a conclusão de diversas estruturas iniciadas antes da interrupção do projeto. Em um dos túneis, por exemplo, foi necessária a remoção de cerca de 32 mil metros cúbicos de material para permitir a abertura da passagem. Segundo a concessionária, o volume corresponde a aproximadamente 13 piscinas olímpicas.
Ainda de acordo com a empresa, os trabalhos ocorreram em uma área considerada geologicamente complexa. Durante o período de maior atividade, cerca de 300 trabalhadores atuaram simultaneamente nas frentes de obra, com monitoramento contínuo das operações de escavação e desmontes.
A abertura dos túneis e de outros trechos do traçado exigiu a adoção de diferentes técnicas construtivas. Entre elas está a fragmentação por plasma, utilizada para a quebra de rochas em determinadas áreas da obra. Segundo a Via SP Serra, o método permite realizar a fragmentação de forma mais controlada e com menor vibração do que os sistemas convencionais de detonação, reduzindo impactos nas áreas vizinhas.
Viaduto
Outra estrutura de destaque é um viaduto cujos pilares alcançam cerca de 50 metros de altura. Conforme a concessionária, trata-se da estrutura mais elevada do Trecho Norte do Rodoanel. As vigas do equipamento precisaram ser reconstruídas após permanecerem expostas durante o período de paralisação das obras.
Segundo o Governo de São Paulo, a conclusão do Trecho Norte deverá ampliar a integração entre as rodovias que atendem a Região Metropolitana e criar uma nova alternativa para o transporte de cargas. A expectativa da administração estadual é que parte dos caminhões que atualmente circulam por vias urbanas, como a Marginal Tietê, passe a utilizar o novo corredor logístico.
O governo também avalia que a conclusão do trecho poderá facilitar o deslocamento de mercadorias entre diferentes regiões do estado e melhorar a conexão rodoviária com o Porto de Santos, principal complexo portuário do país.
A obra integra o programa SP Pra Toda Obra, que reúne intervenções de infraestrutura viária executadas pelo Estado e por concessionárias reguladas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
De acordo com a administração estadual, o conjunto de projetos contempla aproximadamente 61,8 mil quilômetros de rodovias. O programa reúne 4,3 mil intervenções públicas e privadas, incluindo obras concluídas a partir de 2023, empreendimentos em execução e projetos previstos para os próximos anos.