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Ferrovias

BNDES abre linha de financiamento ferroviário com prazo de até 40 anos

10 de June de 2026 às 15:40
Mariana Nerome Enviar e-mail para o Autor

Modalidade de crédito visa atrair investidores internacionais para projetos como a Ferrogrão e o Anel Ferroviário do Sudeste

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o governo federal apresentarão nesta quinta-feira (11) uma modalidade de crédito para o setor ferroviário com prazo de pagamento de até 40 anos. O lançamento acontece no evento “Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, na Arena B3, em São Paulo, e marca uma mudança na forma como o poder público pretende financiar grandes obras de infraestrutura no país.

A nova linha nasce da avaliação de que os instrumentos de financiamento disponíveis até então não se adequam às características dos projetos ferroviários, obras que demandam alto volume de capital na largada e cujos retornos financeiros se estendem por décadas. Além do prazo dilatado, a expectativa é que o crédito também traga períodos de carência mais extensos, o que reduz a pressão sobre o caixa das concessionárias durante a fase de construção.

Para o Ministério dos Transportes, as condições tradicionais tornavam os projetos menos competitivos e dificultavam a chegada de novos parceiros ao setor. A estratégia do Ministério mira, sobretudo, o investidor internacional. Projetos como a Ferrogrão e a EF-118, o Anel Ferroviário do Sudeste, precisam de um volume de recursos que o mercado doméstico, sozinho, tem dificuldade de suprir. Com condições de financiamento mais compatíveis com o perfil de longo prazo dessas obras, o governo acredita que a competitividade dos próximos leilões pode aumentar e que mais interessados do exterior passem a considerar o Brasil como destino para seus recursos em infraestrutura.

O ministro George Santoro já havia sinalizado, em conversas anteriores com a imprensa, que trabalhava na estruturação dessa política com o BNDES. Na ocasião, ele chegou a defender prazos de até 60 anos — proposta mais longa do que a que será oficializada nesta quinta.

OBRAS

A EF-118 concentra parte das atenções do setor. Com 246 quilômetros previstos entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ) — e possibilidade de extensão futura até Nova Iguaçu (RJ) —, a ferrovia tem R$ 6,6 bilhões em investimentos mapeados para a fase de implantação, dos quais R$ 4,1 bilhões viriam de aportes cruzados de outras concessões. O projeto figura entre os leilões mais aguardados do setor de infraestrutura e pode ser o primeiro a ir a mercado em 2026.

O leilão da EF-118, porém, acumula atrasos em relação ao cronograma original, que previa a publicação do edital ainda no primeiro semestre. Santoro afirmou que o Tribunal de Contas da União (TCU) encerra a análise do projeto até julho. Se o tribunal não recomendar mudanças — cenário pouco frequente em concessões dessa complexidade —, o edital pode ser publicado na sequência e o leilão realizado em outubro, dentro da janela de 90 dias que o mercado costuma precisar para estruturar propostas.

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TAGS Ferrovia Ministério dos Transportes
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