Comércio exterior
Lula diz que não aceitará nova taxação dos Estados Unidos
Presidente quer estudo para provar que o governo Trump não tem direito de taxar o Brasil por supostas práticas comerciais desleais
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira, 10, que não vai aceitar as últimas taxações dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros por respeito aos trabalhadores. A declaração foi feita durante a abertura do Conselhão, no Palácio do Itamaraty.
Lula disse ainda desejar ter um estudo sobre quanto ganha um trabalhador dos Estados Unidos para comparar com a realidade brasileira.
A intenção de Lula é evidenciar que os norte-americanos não possuem o direito de taxar o Brasil por supostas práticas comerciais desleais e suposta facilitação para a comercialização de produtos feitos com trabalho forçado.
“É preciso que vocês me apresentem um estudo urgente do quanto ganha um trabalhador americano, porque essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos direito de aceitar por dignidade e respeito pelo o que nós fazemos aqui pelos trabalhadores brasileiros”, disse o presidente da República.
Lula também disse que deseja, neste estudo, saber quais são os direitos dos trabalhadores norte-americanos.
Ele disse também que os Estados Unidos possuem maior desmatamento que o Brasil. “Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para ver um tal de diretor financeiro impor multa por conta do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”
Lula participou nesta quarta da abertura da 7ª Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável (CDESS), mais conhecido como “Conselhão”, realizado no Palácio Itamaraty. Criado no primeiro mandato do petista, o grupo é composto por integrantes da sociedade civil e debate políticas públicas e diretrizes do governo.
Balança
Enquanto isso, o comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. Nos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio bilateral somou US$ 29,5 bilhões, queda de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo a retração simultânea das exportações e importações.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 14,0 bilhões entre janeiro e maio, recuo de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e o menor valor para o período desde 2022. Os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais registraram retração ainda mais intensa, de 22,6%.
O levantamento identificou que as vendas brasileiras para os Estados Unidos apresentaram desempenho significativamente inferior ao das exportações brasileiras para o mundo, uma vez que as exportações totais do Brasil cresceram 8,7% entre janeiro e maio.
Pelo lado das importações, as compras brasileiras de produtos americanos recuaram 12,6%, somando US$ 15,5 bilhões. Como resultado, o déficit brasileiro no comércio bilateral aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão.