Ferrovias
Brasil leva carteira de R$ 600 bi em ferrovias a investidores na China
Missão de cinco dias em Pequim apresentou projetos, mecanismos de financiamento e o ambiente regulatório do setor; leilão ferroviário deve ocorrer ainda no segundo semestre
O Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizaram entre os dias 8 e 12 de junho uma missão em Pequim para apresentar o portfólio ferroviário brasileiro a investidores, operadores e instituições financeiras chinesas. A iniciativa reuniu representantes do governo federal, da Infra S.A. e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em uma agenda de cinco dias que incluiu reuniões com empresas de engenharia e construção, bancos e órgãos do governo chinês responsáveis pelo planejamento econômico e pela definição de estratégias de investimento no exterior.
A delegação brasileira foi integrada pelo secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro; pelo subsecretário de Parcerias do Ministério dos Transportes, Hélio Fernandes; pelo diretor da ANTT, Felipe Queiroz; pelo superintendente de Infraestrutura do BNDES, Felipe Borim; pelo superintendente de Licitações e Relações Governamentais da B3, Guilherme Peixoto; e pelo superintendente de Projetos Ferroviários da Infra S.A., Diógenes Alvares.
A missão apresentou os pilares da Política Nacional de Ferrovias, os mecanismos de financiamento, garantias e estruturação dos projetos, além dos instrumentos regulatórios que ampliam a previsibilidade para investimentos de longo prazo, como matriz de riscos contratual, arbitragem e os comitês de resolução de disputas. O conjunto de medidas inclui ainda avanços na Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e iniciativas para ampliar a concorrência e a interoperabilidade da malha nacional.
No quarto dia da missão, a delegação visitou a China Railway Engineering Corporation (CREC), maior operadora ferroviária do mundo, e conheceu soluções aplicadas à operação de alta capacidade. A agenda incluiu ainda reunião com a COFCO, uma das maiores empresas globais do agronegócio, com foco no papel das ferrovias para ampliar a competitividade da produção brasileira nos mercados internacionais, além de encontros com gigantes do setor financeiro chinês com atuação global em financiamento de infraestrutura.
A programação também contemplou uma visita técnica ao sistema ferroviário de alta velocidade na cidade de Tianjin, um dos principais polos logísticos do norte da China, onde a comitiva conheceu soluções tecnológicas e modelos operacionais do país asiático.
“Tivemos reuniões com instituições financeiras, empresas de construção e grupos que operam tanto o transporte de cargas quanto o de passageiros. Além de apresentar os projetos brasileiros, foi uma oportunidade de conhecer experiências internacionais e entender de que forma a China pode contribuir para o avanço das nossas ferrovias”, afirmou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
A ANTT apresentou uma carteira de oito projetos que compõem a rodada inédita de leilões ferroviários, com mais de 9,9 mil km de extensão. Os empreendimentos conectam regiões produtoras do Centro-Oeste, Norte e Sul do país a portos estratégicos. Entre os destaques estão a Malha Oeste, o Corredor Leste-Oeste e a Ferrogrão. No conjunto, a carteira pode mobilizar mais de R$ 600 bilhões em investimentos públicos e privados. A apresentação incluiu ainda o programa Ferrovias Inteligentes, voltado à revitalização de trechos ociosos da malha nacional, com mais de 2,1 mil km mapeados.
“O interesse demonstrado durante a missão reforça o potencial dos projetos ferroviários brasileiros e abre caminho para novas oportunidades de investimento de longo prazo”, disse o diretor da ANTT, Felipe Queiroz.
Aproximação
A aproximação entre Brasil e China no setor ferroviário vem sendo construída nos últimos anos. Em agosto de 2025, o Ministério dos Transportes, por meio da Infra S.A., firmou um Memorando de Entendimento (MoU) com o Instituto de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group, braço estratégico da maior empresa ferroviária do mundo. “Nosso relacionamento com a China não começou agora. Existe um diálogo permanente e crescente entre os dois países, baseado na troca de conhecimento, no planejamento de longo prazo e na busca por oportunidades de investimento”, destacou Leonardo Ribeiro.
Enquanto a missão ocorria na China, a agenda ferroviária também registrava avanços no mercado interno. No dia 11 de junho, durante o evento Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil, realizado na B3, em São Paulo, o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, destacou a retomada dos leilões ferroviários após cinco anos sem novos certames. “A certeza é que, em breve, ainda neste segundo semestre, teremos, depois de cinco anos, um leilão de ferrovias aqui na Bolsa de Valores”, afirmou.