Rodovias
Bienal das Rodovias: Santoro destaca ciclo recorde de concessões
Ministério dos Transportes contabiliza 24 leilões realizados desde 2022, com investimentos contratados de R$ 268,7 bilhões
O ministro dos Transportes, George Santoro, participou nesta quarta-feira (17) da abertura da Bienal das Rodovias 2026, em Brasília, evento promovido pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) que reúne autoridades, especialistas, investidores e representantes do setor para discutir os desafios e as perspectivas das concessões rodoviárias no Brasil. Na abertura, o ministro destacou os avanços na segurança jurídica dos projetos, a modernização dos modelos de concessão e o fortalecimento do ambiente de investimentos em infraestrutura.
O ciclo mais recente de concessões é, na opinião do ministro, o mais robusto da história do país. Entre 2022 e 2025, o Ministério dos Transportes realizou 22 leilões de rodovias federais. Em 2026, outros dois projetos já foram concedidos. Os 24 contratos firmados até o momento abrangem 11.815 km de rodovias e somam mais de R$ 268,7 bilhões em investimentos privados, destinados à ampliação da capacidade logística, à melhoria da segurança viária e ao aumento da qualidade da infraestrutura de transportes. A expectativa do governo é que, até o fim de 2026, a gestão atual alcance a marca de 35 concessões rodoviárias, com investimentos projetados em cerca de R$ 396 bilhões.
“A carteira de projetos é muito robusta. Em 24 leilões, tivemos 18 novos players que ganharam concessões, o que demonstra que geramos competição, novas possibilidades e a entrada do setor financeiro de forma bastante impactante”, afirmou Santoro. O ministro também ressaltou os avanços regulatórios promovidos pela pasta. “O Brasil tem se notabilizado por ter uma regulação moderna e eficaz. Evoluímos muito nos últimos anos com a Política Nacional de Outorgas Rodoviárias, construindo uma agenda exitosa que dá mais segurança jurídica e previsibilidade aos projetos”, disse.
O presidente da ABCR, Marco Aurélio Barcelos, reforçou a relevância do diálogo entre setor público e iniciativa privada. Para ele, os resultados recentes confirmam a solidez do modelo. “Precisamos de agências reguladoras fortes. O mercado reage às políticas de Estado e os números do investimento privado têm acompanhado uma crescente constante. Em 2025, tivemos recordes de mobilização de recursos nas rodovias concedidas, chegando a R$ 29 bilhões, e 2026 será o ano em que atravessaremos a marca de R$ 30 bilhões em investimentos”, disse.
Modernização do setor
Um dos pilares do atual ciclo de concessões é a Política Nacional de Outorgas Rodoviárias, instituída em 2023 pela Portaria nº 995/2023, que estabeleceu diretrizes para padronizar contratos, ampliar a previsibilidade regulatória e incorporar mecanismos voltados à sustentabilidade contratual, ambiental e social. Entre as inovações previstas estão critérios padronizados para a modelagem dos contratos, mecanismos de compartilhamento de riscos e incentivos à infraestrutura resiliente e à transição energética. O pacote amplia ainda o uso de tecnologias como sistemas de pedágio eletrônico de livre passagem, ferramentas digitais de monitoramento e soluções inteligentes para a operação rodoviária.
A secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, que também participou do evento, destacou o papel do ministério como articulador das políticas públicas para o setor. “A pasta passou a coordenar de forma mais integrada os diversos atores e instrumentos envolvidos nas concessões, promovendo maior alinhamento entre planejamento, regulação e execução dos projetos e ampliando a confiança dos investidores”, ressaltou. Segundo ela, o grande diferencial deste ciclo foi justamente essa atuação coordenada, que aproximou planejamento, regulação e execução.
A Bienal das Rodovias 2026 segue nesta quinta-feira (18) com agenda voltada a soluções e resultados para o setor, reunindo representantes do poder público, concessionárias, especialistas e empresas para discutir como tecnologia, inovação regulatória e segurança jurídica podem acelerar investimentos e melhorar a experiência dos usuários das rodovias brasileiras.