Mineração
Brasil Iron aposta em ferro verde e prevê investir US$ 5,7 bi em projeto
Empresa projeta iniciar implantação em 2027 e afirma já ter contratos equivalentes aos primeiros dez anos de operação
A Brasil Iron pretende investir US$ 5,7 bilhões (quase R$ 30 bilhões) em uma operação integrada que reúne mineração, beneficiamento, conexão ferroviária e produção de ferro verde.
Segundo o vice-presidente de relações institucionais da companhia, Emerson Souza, o projeto será desenvolvido na região entre Piatã e Jussiape, no interior baiano, com proposta de integrar toda a cadeia industrial até a produção do chamado HBI (Hot Briquetted Iron), insumo utilizado na fabricação de aço com menor intensidade de carbono.
Segundo o executivo, apenas uma fração limitada do minério disponível no mundo possui características adequadas para esse tipo de transformação industrial, o que colocaria projetos desse perfil em uma posição estratégica para atender a demanda futura por aço de menor pegada de carbono.
Na visão da companhia, o diferencial está justamente na integração da cadeia. “O projeto é o primeiro das Américas com mineração e fabricação de ferro verde integrada”, afirmou Souza durante entrevista à CNN.
O plano prevê que os recursos sejam destinados à extração mineral, implantação de planta inicial de beneficiamento próxima à mina, construção de ramal ferroviário e instalação de outras duas unidades industriais voltadas à produção de pelotas e posterior transformação em ferro verde.
Comércio
Além da escala financeira, a empresa afirma já ter avançado na frente comercial. Segundo Souza, a Brasil Iron fechou dois contratos de offtake equivalentes aos primeiros dez anos de produção do empreendimento, com compradores localizados principalmente na Ásia e na Europa. A estimativa apresentada é de aproximadamente US$ 30 bilhões (mais de R$ 150 bilhões) em contratos futuros, embora os nomes dos clientes permaneçam sob cláusulas de confidencialidade.
Na frente regulatória, o empreendimento segue em fase de licenciamento ambiental. De acordo com a empresa, os estudos de impacto já foram concluídos e entregues ao órgão ambiental baiano, e o próximo marco esperado é a realização de audiência pública que antecede eventual emissão da licença prévia.
A Brasil Iron também afirma que o projeto foi concebido sem barragem de rejeitos e utilizará tecnologias de empilhamento a seco (dry stacking), transporte interno por esteiras e soluções voltadas à recuperação simultânea das áreas mineradas. Segundo o executivo, há atualmente 17 iniciativas ambientais previstas para a operação.
Para o escoamento da produção, a companhia trabalha com a combinação entre a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o futuro Porto Sul como cenário principal, mas admite rotas alternativas caso os cronogramas não avancem no ritmo necessário. Entre as possibilidades estudadas está adaptação para conexão com a malha da FCA.
Pelo cronograma apresentado pela empresa, a expectativa é iniciar a implantação entre o fim de 2026 e o início de 2027, com entrada em produção prevista para 2030.
Para o setor mineral, o desafio agora será transformar a narrativa de descarbonização em competitividade econômica. Para a Brasil Iron, a aposta é que o mercado global já começou a dar sinais de que está disposto a pagar por essa transição.