Rodovias
Serra das Araras tem primeira etapa de modernização entregue
Trecho por onde passam 44 milhões de toneladas de carga por ano receberá R$ 1,5 bilhão em obras; velocidade operacional deve dobrar
Quatro quilômetros da nova pista de subida da Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra (BR-116/RJ), foram entregues nesta terça-feira (23) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro dos Transportes, George Santoro, e pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. O trecho modernizado inclui oito viadutos, quatro faixas de rolamento, acostamento, iluminação completa e 14 estruturas de contenção, e a previsão é de liberação ao tráfego ainda esta semana.
A Serra das Araras é um dos principais corredores logísticos do país. Segundo os Ministérios da Casa Civil e dos Transportes, cerca de 44 milhões de toneladas de carga cruzam o trecho a cada ano, volume associado ao escoamento de mercadorias produzidas por regiões responsáveis por cerca de 50% do PIB nacional. Pelos 16 km de extensão da serra passam mensalmente cerca de 390 mil veículos, dos quais 36% são caminhões de carga.
A modernização completa do corredor está orçada em R$ 1,5 bilhão, investidos pela RioSP, empresa do grupo Motiva, no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio de concessão. De acordo com o Ministério dos Transportes, as obras atingiram 70% de execução. O cronograma também foi antecipado: a conclusão, originalmente prevista para 2029, passou para o primeiro semestre de 2027.
Quando o projeto estiver concluído, a rodovia contará com 16 km de pistas novas, 24 viadutos, duas rampas de escape e quatro faixas de rolamento em cada sentido. O limite de velocidade operacional no trecho passará dos atuais 40 km/h para 80 km/h. Segundo o Ministério dos Transportes, a mudança deve reduzir o tempo de viagem em até 25% no sentido São Paulo e em até 50% no sentido Rio de Janeiro.
Lula acredita que a obra tem potencial de atrair investimentos para o estado. “A melhoria da Serra das Araras será um cartão de visitas para o Rio de Janeiro. Muitas empresas, de diferentes atividades econômicas, vão querer se aproximar do estado e produzir aqui. O resultado dessa obra será mais desenvolvimento, mais empresas instaladas e mais empregos de qualidade para o povo fluminense”, afirmou.
Para o ministro dos Transportes, o projeto responde a um problema crônico de segurança viária. “Esse projeto resolve um problema de uma rodovia que fica mais de 40 dias do ano fechada — se somadas todas as interrupções que acontecem nela todos os dias — por conta de sinistros. A ideia aqui é a segurança. Olhar as pessoas que vão passar todos os dias e não só a melhora da economia como um todo, mas principalmente a segurança viária”, afirmou Santoro.
O ministro também reconheceu os ganhos para a logística. “Claro que a obra também traz ganhos importantes para a logística e para a economia do país, porém o foco é proteger vidas”, completou.
Execução da obra
Os serviços tiveram início em abril de 2024. Segundo o Ministério dos Transportes, a velocidade atual de execução indica que o prazo antecipado — dois anos antes do contrato original — será cumprido. A aceleração do cronograma está sendo acompanhada pela pasta como referência para o modelo de concessão adotado no trecho.
A obra também gerou empregos na região. A pasta informa que cerca de 2,2 mil pessoas trabalham diretamente na construção do empreendimento.
O Ministério situa a modernização da Serra das Araras dentro de um ciclo mais amplo de investimentos no Rio de Janeiro. Segundo a pasta, o estado acumula mais de R$ 50 bilhões contratados em rodovias e ferrovias, valor que deve chegar a R$ 70 bilhões até o final do ano. Entre as entregas já realizadas pelas concessionárias que operam no estado constam mais de 2 mil metros de duplicação, dois Pontos de Parada e Descanso (PPDs) para caminhoneiros, 412 mil km de pintura de faixas, 91 mil metros de drenagem superficial recuperada e 7 mil toneladas de resíduos removidos.