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Portos

Praticagem de São Paulo completa 93 anos e reforça investimentos em tecnologia

Atualizado em: 25 de June de 2026 às 18:01
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Trabalho essencial na navegação envolve lidar com situações que mudam rapidamente, como ventos fora dos limites operacionais e panes

A Praticagem de São Paulo comemora, neste sábado (27), 93 anos desde sua fundação oficial, data que remete ao Aviso nº 2.195, assinado em 27 de junho de 1933 pelo então Ministro de Estado dos Negócios da Marinha, Almirante Protógenes Pereira Guimarães. O documento criou a Associação dos Práticos da Barra e Canal do Porto de Santos, origem da entidade que hoje atua nos portos de Santos e São Sebastião.

A função da Praticagem é assessorar os comandantes de navios durante manobras em áreas de navegação restrita. O trabalho envolve lidar com situações que mudam rapidamente, como ventos fora dos limites operacionais, falhas de máquina, panes no leme e apagões a bordo, sempre em uma região onde convivem zonas urbanas, praias, reservas ambientais e tráfego marítimo intenso. Esse tipo de atuação não é particular dos portos paulistas: onde a geografia e as condições locais tornam a navegação mais difícil, a presença de um profissional com conhecimento local sobre correntes, marés, ventos e bancos de areia passa a ser necessária.

TECNOLOGIA 

O Porto de Santos, hoje o maior complexo portuário da América Latina e responsável por cerca de 30% da balança comercial do país, exige uma estrutura de apoio constante para manter esse posto. Para isso, a Praticagem mantém o Centro de Coordenação, Comunicações e Operações de Tráfego (C3OT), que reúne monitoramento em tempo real, levantamentos batimétricos e o sistema Redraft, usado para calcular o calado dinâmico das embarcações. Esses recursos permitem coordenar com mais precisão a entrada e a saída dos navios, o que abre espaço para receber embarcações maiores e reduz o tempo de movimentação dentro do porto.

Sistemas de monitoramento de correntes, ventos e marés fazem parte dessa estrutura e fornecem dados usados nas decisões durante as manobras. Mesmo com esse aparato, a entidade reforça que a tecnologia funciona como suporte: quem decide, na prática, são os próprios práticos, com base em treinamento contínuo e na experiência acumulada em cada manobra. Segundo o presidente da Praticagem de São Paulo, Fábio Mello Fontes, esse acompanhamento constante das mudanças no setor é o que garante à entidade reconhecimento tanto no Brasil quanto fora do país.

OPERAÇÕES

Entre as situações mais delicadas enfrentadas pelos práticos estão as manobras casadas, que ocorrem quando duas embarcações de grande porte precisam operar simultaneamente em um espaço limitado. Nesses casos, a sincronização das etapas e o controle preciso da velocidade são determinantes, já que a proximidade entre os navios gera interações hidrodinâmicas que podem comprometer a segurança da operação.

Fontes explica que o objetivo nessas manobras é reduzir ao mínimo o tempo de espera dos navios e evitar que berços de atracação fiquem parados sem uso. Quando as condições ambientais permitem, a gestão do tráfego marítimo consegue diminuir consideravelmente os períodos de inatividade, otimizando o aproveitamento da estrutura portuária.

Além da operação direta dos navios, a Praticagem de São Paulo mantém vínculos com a comunidade da região por meio de parcerias educacionais e participação em projetos de capacitação de trabalhadores portuários. A preocupação ambiental também integra a rotina da entidade, já que parte das embarcações acompanhadas transporta cargas sensíveis, como petróleo e granéis líquidos. Para Fontes, garantir a segurança dessas operações representa, na prática, uma forma direta de proteger o meio ambiente na região portuária.

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TAGS portos Praticagem segurança
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