Ferrovias
Obras da Fico chegam a 55% de avanço físico em trecho de 364 km em Goiás
Ferrovia executada pela Vale como contrapartida de concessão integra corredor que deve conectar Centro-Oeste ao Porto Sul, em Ilhéus
O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, e o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, visitaram nesta quinta-feira (25) as obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), em Goiás. A comitiva também contou com o superintendente interino de Transporte Ferroviário da ANTT, Fernando Feitosa, e representantes da Vale, responsável pela execução do empreendimento.
A visita acompanhou o andamento do trecho denominado Fico 1, que compreende 364 km entre os municípios de Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT). Segundo a ANTT, o empreendimento registra 55,38% de avanço físico e 51,55% de avanço financeiro, com mais de R$ 5,1 bilhões contratados de um investimento total estimado em R$ 10,7 bilhões. Entre os destaques apontados pela agência estão as obras de terraplenagem, a implantação de pontes e viadutos e o avanço da superestrutura ferroviária, que já contabiliza mais de 200 quilômetros de trilhos recebidos, além da fabricação de 158 mil dormentes e a mobilização de mais de 200 profissionais dedicados à implantação da via permanente.
A Fico é executada pela Vale como parte das contrapartidas da renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). O modelo permite executar nova infraestrutura ferroviária com recursos privados, sem desembolso direto do governo federal. O trecho Fico 1 integra um projeto ferroviário de 888 km de extensão total.
Ao sobrevoar as obras, o secretário Leonardo Ribeiro destacou o papel da ferrovia na logística nacional. “A Fico é muito mais do que uma ferrovia. Estamos falando de uma infraestrutura estratégica, que terá impacto direto no PIB brasileiro ao integrar a produção do Centro-Oeste à Ferrovia Norte-Sul e, futuramente, ao Corredor Leste-Oeste. Com o leilão desse corredor, o país ganhará uma nova alternativa logística para o escoamento da produção, reduzindo custos de transporte, aumentando a competitividade e fortalecendo o comércio exterior”, afirmou.
Para Sampaio, a visita reforça o papel regulatório da ANTT sobre um empreendimento que considera estratégico. “Em pouco tempo já é possível perceber o avanço das obras e a transformação que esse empreendimento representa para a infraestrutura brasileira. Esse resultado é fruto do trabalho conjunto entre o Ministério dos Transportes, a ANTT, a Infra S.A. e a iniciativa privada, que transformou uma política pública em uma obra capaz de gerar desenvolvimento, emprego e competitividade para o Brasil”, disse.
A Fico integra um projeto ainda maior: o Corredor Ferroviário Leste-Oeste, que terá conexão com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e com a Ferrovia Norte-Sul. Com extensão prevista de 1.708 quilômetros, o corredor atravessará Bahia, Goiás e Mato Grosso, atendendo regiões produtoras do oeste baiano, de Mato Grosso e do Matopiba — região formada por municípios dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, com destino final ao Porto Sul, em Ilhéus (BA).
O Corredor Leste-Oeste integra a carteira ferroviária do Ministério dos Transportes para os próximos anos. Em novembro de 2025, a pasta lançou a primeira Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, com previsão de oito leilões ferroviários somando mais de 9 mil quilômetros de extensão, com potencial para atrair cerca de R$ 160 bilhões em investimentos e movimentar até R$ 600 bilhões ao longo do ciclo de implantação e operação dos empreendimentos, segundo o ministério.