Ferrovias
Venda da Bamin pode destravar obras da Fiol ainda neste ano
Análise da ANTT sobre transferência das operações para a Mota-Engil é considerada a última etapa para reativar o trecho entre Ilhéus e Caetité
Paralisadas desde março de 2025, as obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) poderão ser retomadas ainda no segundo semestre deste ano. A expectativa do governo federal é concluir, nas próximas semanas, a análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a venda das operações da Bamin para a companhia sino-portuguesa Mota-Engil, operação considerada decisiva para reativar o empreendimento.
A Bamin, empresa de origem cazaque responsável pela construção da Fiol 1, interrompeu as obras alegando dificuldades financeiras e iniciou negociações para transferir seus ativos à Mota-Engil. Além da conclusão do trecho ferroviário entre Ilhéus e Caetité, a nova controladora também assumiria a implantação do Porto de Ilhéus, infraestrutura essencial para a exportação da produção mineral transportada pela ferrovia.
Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a análise da ANTT representa a etapa final para a conclusão da operação. Ao jornal Valor, o ministro disse que a expectativa é de que as obras sejam retomadas ainda no próximo semestre.
Quando concluída, a Fiol terá aproximadamente 1.527 quilômetros de extensão, ligando o litoral da Bahia ao município de Figueirópolis (TO), onde será integrada à Ferrovia Norte-Sul. O projeto foi concebido para ampliar a integração logística entre o Centro-Oeste e os portos do Nordeste, reduzindo custos de transporte e criando um novo corredor de exportação para minérios e produtos do agronegócio.
A prioridade do governo é colocar em operação o primeiro trecho, entre Ilhéus e Caetité. A ferrovia atenderá inicialmente o escoamento da produção da mina de minério de ferro explorada pela própria Bamin, em Caetité, cuja capacidade estimada é de cerca de 20 milhões de toneladas por ano. A carga será destinada ao futuro Porto Sul, em Ilhéus, também previsto no projeto.
Enquanto a definição sobre a Fiol 1 depende da transferência da concessão, as obras da Fiol 2 seguem sob responsabilidade do governo federal. O trecho, que ligará Caetité a Barreiras, teve intervenções retomadas após a superação de entraves ambientais e deverá se consolidar como um dos principais corredores ferroviários para o transporte de grãos produzidos no oeste baiano.
A expectativa do Ministério dos Transportes é que os dois primeiros trechos da ferrovia estejam em operação até 2031, ampliando a capacidade logística da Bahia e fortalecendo a conexão entre o agronegócio e os portos do litoral.
Já a terceira etapa do empreendimento, entre Barreiras (BA) e Figueirópolis (TO), deverá ser licitada somente após a conclusão dos dois primeiros segmentos. Com cerca de mil quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 15 bilhões, o trecho é considerado o mais complexo da ferrovia, devido ao elevado número de pontes, viadutos e demais obras de engenharia. A previsão do governo é iniciar sua construção a partir de 2030, com conclusão estimada para 2034.