Agronegócio
Plano Safra soma R$ 525,1 bilhões e mira portos e hidrovias
Recursos superam em R$ 9 bilhões o ciclo anterior e reacendem debate sobre capacidade logística do país
O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, com R$ 525,1 bilhões em crédito e instrumentos de política agrícola. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o montante supera em R$ 9 bilhões o valor do ciclo anterior.
No Palácio do Planalto, o presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, citou os números das exportações do ano passado, do total de US$ 349 bilhões exportados pelo Brasil, US$ 169 bilhões saíram do agronegócio. Para Alckmin, esse resultado contribui para a estabilidade e o fortalecimento da economia do país.
“Nós batemos recorde de exportação no ano passado, isso tem um efeito fantástico, no sentido de estabilidade e de fortalecimento da economia brasileira”, afirmou.
A cerimônia reuniu representantes de diferentes áreas do governo, entre eles a secretária executiva do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Thairyne Oliveira. Em sua fala, ela ligou o crescimento da produção agrícola à necessidade de infraestrutura logística para o escoamento das safras. Segundo Thairyne, os portos brasileiros formam a principal saída do comércio exterior, e a integração entre modais reduz custos e prazos no transporte da produção. Os recursos do Plano Safra, disse a secretária, pressionam a demanda por uma logística com maior capacidade.
HIDROVIA
O Anuário Agrologístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrou mudança na distribuição dos modais usados no transporte de grãos.
Em 2010, as hidrovias respondiam por 8% das exportações do setor. Em 2025, essa fatia chegou a 15%. O levantamento coloca o transporte hidroviário como opção para reduzir custos logísticos ao longo da cadeia.
Segundo o MPor, a soja concentra parte desse movimento, já que o grão passa pelos portos nacionais antes de seguir para os mercados compradores. As exportações do produto somaram 108,18 milhões de toneladas em 2025, número 9,5% acima do total de 2024. O Mato Grosso manteve a liderança entre os estados produtores e exportadores, com 32,06 milhões de toneladas embarcadas.
Entre os corredores de exportação, o Porto de Santos registrou o maior volume, com 34,57 milhões de toneladas de soja movimentadas. Na sequência aparecem os portos de Itaqui, no Maranhão, Paranaguá, no Paraná, Barcarena, no Pará, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Do outro lado do fluxo comercial, a China recebeu 85,4 milhões de toneladas da soja brasileira, parcela equivalente a 78,9% do total exportado pelo país.
Thairyne Oliveira relacionou esses números ao trabalho do Ministério de Portos e Aeroportos na condução da política para o setor. A pasta acompanha o crescimento da produção e trata portos e hidrovias como pontos de conexão entre a produção interna e os mercados externos, com reflexo na competitividade do país e no abastecimento de alimentos.
“O Ministério de Portos e Aeroportos tem papel fundamental para garantir o escoamento dessa produção crescente. Portos e hidrovias são elos estratégicos para que o Brasil mantenha sua competitividade internacional, fortaleça a segurança alimentar e transforme o crescimento do agronegócio em desenvolvimento econômico e geração de oportunidades”, concluiu Thairyne.