Aviação
Programa da Anac forma 230 jovens para carreiras na aviação no Recife
Iniciativa busca ampliar o acesso ao setor aeronáutico e preparar mão de obra para atender à crescente demanda da aviação civil
O programa Asas para Todos, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), concluiu nesta quinta-feira (2), no Recife (PE), mais uma edição do Curso de Introdução à Aviação Civil e Carreiras Aeronáuticas. A iniciativa formou 230 estudantes do ensino médio e busca ampliar o acesso às carreiras da aviação em um momento em que o crescimento do setor reforça a necessidade de formar profissionais qualificados para atender à demanda por mão de obra especializada.
A cerimônia de encerramento contou com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, que destacou o potencial de geração de empregos na aviação civil. Para o ministro, o crescimento do setor amplia as oportunidades para os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho. “Estamos trabalhando fortemente, com muito compromisso, para que esse mercado cresça. É uma área muito promissora. Estamos falando aqui de oportunidades”, afirmou.
Durante o curso, os estudantes conheceram diferentes áreas de atuação da aviação civil, como operações aeroportuárias, manutenção aeronáutica, investigação de acidentes, drones, eVTOLs (veículos elétricos de pouso e decolagem vertical) e combustíveis sustentáveis para aviação (SAF).
Esta edição marcou a expansão do programa para o Nordeste. Dos 230 participantes, 70 receberam bolsas de estudo, enquanto 30 estudantes tiveram a oportunidade de participar de um voo de descoberta. A ação envolveu mais de 20 escolas da Região Metropolitana do Recife.
Setor em crescimento
Durante o evento, Tomé Franca afirmou que a infraestrutura de portos e aeroportos só cumpre seu verdadeiro papel quando melhora a vida das pessoas. “As obras em portos e aeroportos, que possibilitam mais voos e uma maior capacidade de transporte, só fazem sentido se beneficiarem passageiros, trabalhadores do setor e quem depende da logística de cargas. O objetivo final da infraestrutura é transformar a vida da população”, detalhou.
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faiersten, também esteve na cerimônia e afirmou que o país precisa de mais jovens na aviação, especialmente mais mulheres. “E não apenas como comissárias, mas queremos mais mulheres atuando como mecânicas e pilotos. É uma necessidade do mercado e um dever nosso, como poder público, buscar meios de promover essa entrada no mercado de trabalho por meio da qualificação profissional”, disse.
A estudante Maria Clara, de 17 anos, contou que o curso despertou seu interesse pela profissão de piloto. “Eu não tinha ideia de como era o mundo da aviação. Gostei de todos os momentos do curso e agora estou decidida: vou estudar para ser, no futuro, piloto de avião”, disse.
Demanda por profissionais
O apoio à formação profissional tornou-se um dos principais desafios da aviação mundial. Segundo estimativas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), o setor precisará formar cerca de 1,5 milhão de novos profissionais até 2034, entre pilotos, técnicos de manutenção, comissários e controladores de tráfego aéreo.
No Brasil, a necessidade de formar novos profissionais acompanha a expansão da própria aviação. Em 2025, a aviação brasileira incluiu mais de 30 milhões de passageiros à malha aérea, alcançando o recorde histórico de 130 milhões de viajantes em um ano.
Lançado em 2024, o programa Asas para Todos busca ampliar a inclusão e a diversidade na aviação civil brasileira, incentivando o ingresso de mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+ e jovens de baixa renda em carreiras do setor.