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Aeroportos

Projeto de 2º aeroporto em Porto Alegre enfrenta resistência da Fraport

6 de July de 2026 às 16:02
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Concessionária do Salgado Filho afirma que projeto não tem viabilidade técnica nem econômica, enquanto grupo local articula alternativa privada 

A concessionária alemã Fraport, responsável pela operação do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, procurou o Ministério de Portos e Aeroportos para se posicionar contra a proposta de construção de um segundo terminal aéreo na capital gaúcha. A iniciativa vem sendo defendida por um grupo de empresários e lideranças políticas do Rio Grande do Sul.

No mês passado, a empresa enviou uma carta ao ministério e à Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) solicitando que o governo federal descarte o projeto do chamado “Aeroporto Internacional 20 de Setembro”. A Folha de São Paulo acessou o documento, onde a concessionária argumenta que não há justificativa técnica ou econômica para a nova estrutura e sustenta que o Salgado Filho possui capacidade suficiente para atender à demanda de passageiros e cargas pelas próximas décadas.

A manifestação ocorre em meio à articulação dos defensores do projeto, que prometem intensificar a mobilização em Brasília. Apesar disso, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que, até o momento, não há processo formal em análise para a construção de um segundo aeroporto em Porto Alegre.

O movimento em favor da nova unidade é liderado pelo presidente do PSB no Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque. Ex-deputado federal e pré-candidato, ele afirma estar finalizando um dossiê técnico para apresentar ao governo federal. A proposta prevê um aeroporto com investimento integralmente privado, a ser construído entre os municípios de Nova Santa Rita e Portão, a cerca de 27 quilômetros da capital.

Embora a ideia já circule há anos, ganhou força após a enchente histórica que atingiu o estado em 2024 e paralisou as operações do Salgado Filho. Para Albuquerque, o projeto representa uma oportunidade de avanço logístico, não para competir, mas para criar uma nova alternativa.

A proposta é coordenada pelo Comitê Pró-Aeroporto Internacional 20 de Setembro, liderado pelo ex-piloto da Varig Nelson Riet, e conta com o apoio de empresários da região do Vale dos Sinos, além de prefeitos e lideranças locais.

Diante da intensificação desse movimento, a Fraport decidiu adotar uma postura mais ativa junto ao governo. A empresa ressalta que o aeroporto passou por ampla modernização desde o início da concessão, em 2018. Entre os investimentos, destaca a ampliação da pista de pouso de 2.280 para 3.200 metros, o aumento da capacidade anual de passageiros de 7,8 milhões para 16,2 milhões e a construção de um novo terminal internacional de cargas.

Segundo a concessionária, o aeroporto tem condições de atender à demanda projetada até o fim do contrato, previsto para 2043, sem restrições, inclusive para operações com aeronaves cargueiras de grande porte. A empresa também afirma que há espaço para expansão da área logística.

Um dos principais argumentos dos defensores do novo aeroporto é que o Salgado Filho teria limitações para receber grandes cargueiros e que, em situações adversas, voos precisam ser desviados para outros estados, como Santa Catarina. A Fraport contesta essa avaliação e afirma que o terminal já opera com aeronaves de grande porte e ficou inoperante apenas durante a tragédia climática de 2024.

No documento enviado ao governo, assinado pela presidente da companhia, Andreea-Diana Pal, a empresa afirma que a construção de um novo aeroporto como alternativa “não resiste a uma análise mínima de viabilidade técnica e econômica” e classifica a proposta como um possível desperdício de recursos públicos.

Já Nelson Riet, do comitê pró-aeroporto, rebate a posição da concessionária. Para ele, o Salgado Filho pode atingir a saturação nos próximos anos e a ausência de uma alternativa representaria um risco.

A concessionária, por sua vez, destaca que o aeroporto tem alcançado altos níveis de qualidade de serviço e conta com um terminal de cargas com capacidade para processar até 100 mil toneladas. A empresa também informou que o movimento de passageiros já se recuperou após a enchente, com 7,5 milhões de viajantes em 2025, número próximo ao registrado em 2023, de 7,4 milhões.

A Secretaria de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul afirmou que reconhece a importância estratégica do Salgado Filho e a necessidade de investimentos contínuos em sua ampliação. No entanto, destacou que os estudos sobre o novo aeroporto ainda demandam análises complementares antes de qualquer decisão.

Segundo o governo estadual, o debate deve considerar de forma integrada todo o sistema aeroportuário e a logística regional. Nesse sentido, o Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT) será utilizado como base técnica para orientar o planejamento de longo prazo.

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