Aviação
Lucro das aéreas chega a R$ 4,3 bi em ano de recuperação do setor
Anuário da Anac mostra avanço das receitas acima dos custos, melhora dos indicadores operacionais e recordes de demanda e ocupação das aeronaves em 2025
As companhias aéreas brasileiras encerraram 2025 com lucro líquido consolidado de R$ 4,3 bilhões, resultado que consolidou a recuperação financeira do setor em um ano marcado por recordes de demanda e melhora dos principais indicadores operacionais. Os dados constam do Anuário do Transporte Aéreo 2025, divulgado nesta terça-feira pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e abrangem as empresas Azul, Gol, Latam e Latam Cargo, que responderam por mais de 1% do mercado nacional ou internacional de transporte de passageiros e cargas.
O desempenho representa uma inflexão em relação aos anos anteriores e foi acompanhado por um crescimento das receitas superior ao avanço dos custos. Segundo a agência, a receita das empresas aumentou 13% em relação a 2024, enquanto os custos e despesas de voo cresceram em ritmo menor, de 7%, ampliando a margem operacional das companhias. Ao mesmo tempo, a receita por assento-quilômetro oferecido (RASK) avançou 2,3%, enquanto o custo por assento-quilômetro oferecido (CASK) recuou 3,1%, indicando ganho de eficiência na utilização da capacidade instalada.
Os dados divulgados pela Anac mostram que a melhora do desempenho financeiro ocorreu em paralelo à expansão das operações. O mercado doméstico ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 milhões de passageiros transportados em um único ano, enquanto o segmento internacional também registrou recordes de movimentação. Esse aumento da demanda foi acompanhado por taxas mais elevadas de ocupação das aeronaves, permitindo às empresas ampliar a utilização de seus ativos e diluir parte dos custos operacionais.
Outro fator destacado pelo Anuário foi a mudança na composição dos custos das empresas aéreas. O combustível, tradicionalmente o principal componente das despesas do setor, perdeu participação em 2025. A fatia desse item caiu de 30,6% para 29,4% do total dos custos operacionais. Em sentido contrário, cresceram as despesas relacionadas a seguro, arrendamento e manutenção de aeronaves, cuja participação passou de 18,8% para 21,1%.
A publicação também revela que a estrutura de receitas das companhias permaneceu concentrada no transporte de passageiros. Essa atividade respondeu por 85,1% do faturamento total em 2025, ligeiramente acima dos 85% registrados no ano anterior. Já a participação das receitas provenientes do transporte de cargas e mala postal caiu de 5,9% para 5,6%, reforçando que a recuperação financeira foi sustentada principalmente pela expansão da demanda por viagens aéreas.
Além da evolução das receitas, a Anac identificou melhora em indicadores utilizados para medir a eficiência operacional das empresas. O avanço do RASK indica crescimento da receita gerada por unidade de capacidade ofertada, enquanto a redução do CASK demonstra diminuição do custo para disponibilizar essa mesma capacidade. Na prática, os dois movimentos ocorreram simultaneamente em 2025, ampliando o resultado operacional das companhias.
O Anuário também mostra que o mercado operou com níveis historicamente elevados de aproveitamento das aeronaves. No transporte doméstico, o índice de ocupação atingiu 83,6%, o maior da série histórica para um ano completo. Nas operações internacionais, o indicador chegou a 85,8%, também recorde. Segundo a agência, o melhor aproveitamento da capacidade disponível contribuiu para elevar a produtividade das operações ao longo do ano.
Preço médio
Embora o setor tenha ampliado a oferta de voos e transportado um número recorde de passageiros, o Anuário aponta que o preço médio das passagens não acompanhou esse crescimento. Em termos reais, a tarifa doméstica anual média apresentou redução de 3,3% em comparação com 2024, enquanto o yield doméstico — indicador que mede a receita obtida por quilômetro voado por passageiro — caiu 4,9%. Os dados sugerem que a melhora do resultado financeiro ocorreu mesmo em um ambiente de redução do preço médio das passagens.
O levantamento da Anac reúne informações econômicas e operacionais encaminhadas periodicamente pelas empresas aéreas à agência reguladora. Os dados passam por procedimentos de validação e auditoria antes da publicação e servem de base para o acompanhamento da evolução do mercado brasileiro de aviação civil. Segundo a agência, o desempenho observado em 2025 consolidou um ano de avanços simultâneos nos indicadores financeiros e operacionais das companhias aéreas que atuam no país.