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Comércio exterior

Exportações de carne bovina avançam em julho mesmo sem cota chinesa

Atualizado em: 9 de July de 2026 às 10:30
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Demanda externa sustenta embarques, enquanto mercado interno do boi gordo segue travado e com baixa liquidez

As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram julho em ritmo forte, mesmo após o encerramento da cota destinada à China, sinalizando a continuidade da demanda internacional aquecida. Em paralelo, o mercado interno do boi gordo segue com baixa liquidez e negociações travadas neste início de segundo semestre.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 45,169 mil toneladas de carne bovina in natura nos três primeiros dias úteis do mês, com média diária de 15,056 mil toneladas.

O preço médio da carne exportada também permanece elevado, atingindo US$ 6.383,70 por tonelada, acima dos US$ 5.549,40 registrados no mesmo período do ano passado. Trata-se do segundo maior valor já observado para meses de julho, atrás apenas de 2022.

A avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) é de que, mantido esse ritmo, o mês pode registrar volume expressivo de exportações, reforçando a força da demanda externa pela proteína brasileira.

No mercado interno, o cenário segue marcado por cautela. Compradores e vendedores ainda ajustam suas estratégias e grande parte das negociações ocorre nos mesmos níveis da semana anterior, com alguns negócios fechados abaixo das referências.

Em São Paulo, principal praça pecuária do país, as negociações permanecem travadas. Frigoríficos reduziram as ofertas, enquanto pecuaristas resistem em vender aos preços atuais.

No Pará, a liquidez também é baixa, com negócios pontuais envolvendo pequenos lotes. A arroba do boi gordo varia entre R$ 315 e R$ 320, e as escalas de abate seguem entre três e sete dias.

Já no Rio Grande do Sul, a oferta restrita de animais prontos para abate, aliada às condições de inverno e à perda de qualidade das pastagens, mantém os preços firmes. As escalas de abate variam de dois a oito dias, com negócios entre R$ 24 e R$ 27 por quilo de carcaça.

No atacado, os preços da carne bovina seguem estáveis, mas o escoamento continua lento. O consumo doméstico ainda não demonstra força suficiente para impulsionar as cotações. A carcaça casada bovina é comercializada, em média, a R$ 23,84 por quilo à vista.

O início do segundo semestre revela um mercado dividido entre a demanda externa aquecida, que sustenta as exportações, e um ambiente interno ainda marcado por cautela, baixa liquidez e dificuldades na formação de preços entre frigoríficos e pecuaristas.

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