Infraestrutura
FGV projeta salto da infraestrutura digital no Brasil até 2035
País pode virar hub global de infraestrutura digital, mas enfrenta entraves tributários, regulatórios e de acesso à rede elétrica
O Brasil reúne condições para se tornar um polo global de infraestrutura digital, mas ainda enfrenta obstáculos que limitam sua competitividade, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado nesta terça-feira (7).
O levantamento aponta que fatores como a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de áreas, o tamanho do mercado interno e a localização geográfica favorecem o país na atração de projetos de data centers e infraestrutura voltada à inteligência artificial.
Em um dos cenários projetados, a capacidade instalada de infraestrutura digital no Brasil pode saltar de cerca de 1 GW para 13,7 GW até 2035, com potencial para gerar mais de 230 mil empregos permanentes.
Para viabilizar essa expansão, seriam necessários investimentos entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões, o equivalente a R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões. Os valores incluem tanto a construção da infraestrutura física quanto a aquisição de equipamentos utilizados no processamento de dados e em aplicações de inteligência artificial.
O estudo destaca que o alto custo dos projetos está diretamente ligado ao investimento em tecnologia. Um data center de 100 MW preparado para cargas de inteligência artificial pode demandar cerca de R$ 25 bilhões, sendo aproximadamente R$ 5 bilhões destinados à infraestrutura e R$ 20 bilhões a servidores e equipamentos.
Entre os principais entraves apontados estão a elevada carga tributária sobre tecnologias e serviços, que encarece os projetos, além de desafios no setor elétrico. Apesar da matriz renovável ser considerada uma vantagem, o estudo indica a necessidade de maior coordenação na expansão da rede e de maior previsibilidade no acesso à energia para empreendimentos de grande porte.
A fragmentação regulatória e a instabilidade de incentivos fiscais também são citadas como fatores que geram insegurança para investidores.
Como medidas para destravar o setor, o estudo sugere políticas de estímulo à produção nacional de equipamentos, maior estabilidade jurídica para incentivos fiscais e o reconhecimento dos data centers como infraestrutura estratégica no sistema elétrico. Também é recomendada a criação de uma instância nacional de coordenação entre governo, reguladores e iniciativa privada para dar mais previsibilidade aos projetos.