Portugal
A brasileira Fiocruz fecha parcerias com as universidades de Aveiro e Coimbra
Acordos preveem mobilidade de estudantes e pesquisadores, formação de profissionais em ciência e saúde, pesquisas, desenvolvimento e inovação. Fundação já dispõe de escritório em Lisboa
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinará, nesta quarta-feira, 15 de julho, acordos de cooperação técnica com as universidades de Aveiro e de Coimbra. A parceria abrange cooperação internacional em ciência e tecnologia; mobilidade de estudantes e pesquisadores; desenvolvimento institucional; formação de profissionais em ciência e saúde; ações em pesquisa; desenvolvimento; e inovação.
Os acordos já fazem parte do projeto da Fiocruz de ter uma representação em Lisboa, instalada no prédio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). As bases para a abertura do escritório da fundação na capital portuguesa foram estabelecidas em 2023, durante a XIII Cimeira Luso-Brasileira. Em 2025, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a ApexBrasil, a Fiocruz ampliou suas ações para o fortalecimento do Complexo-Econômico Industrial da Saúde brasileiro.
Além dos acordos com as universidades portuguesas — Portugal é o país com o qual a Fiocruz tem maior número de parcerias para cooperação na área de saúde —, a fundação pretende firmar tratados de cooperação com vários outros países da Europa e com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) nas áreas de pesquisa, produção e inovação em saúde. A meta, informa o governo brasileiro, é fortalecer os sistemas nacionais de saúde, sobretudo o SUS.
Moçambique
Em Lisboa, onde acompanhará de perto a atuação da Fiocruz, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, vai apresentar, em um seminário promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a estratégia brasileira para o uso da inteligência artificial na saúde pública. Segundo o ministério, “será mostrado como o SUS vem utilizando a tecnologia para reduzir filas, apoiar decisões clínicas, ampliar o acesso aos serviços e tornar a gestão mais eficiente, sempre com base em segurança, governança, transparência e equidade”.
O ministro também promete falar sobre os avanços da transformação digital do SUS, como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), as plataformas SUS Digital e iniciativas de hospitais e UTIs inteligentes. O SUS é considerado o maior sistema público de saúde do mundo, atendendo, gratuitamente, mais de 200 milhões de pessoas, inclusive estrangeiros que vivem no país ou estejam de passagem por alguma cidade brasileira.
Antes de pousar em Portugal, Padilha passou por Moçambique, onde participou, na segunda-feira (13/07), da inauguração, em Maputo, da primeira Escola de Saúde Pública do país, para a formação de profissionais, a produção de conhecimento e a capacidade de resposta dos sistemas públicos de saúde diante dos desafios contemporâneos. O projeto que resultou na criação da escola contou com a parceria da Fiocruz. A instituição preparará médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, gestores, pesquisadores e demais profissionais da saúde.
Segundo o ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, a escola, que é totalmente digitalizada, com tecnologia de ponta, foi a realização de “um sonho de 18 anos”. Ele assinalou que a parceria com a Fiocruz para que o projeto saísse do papel contribui para o fortalecimento do capital humano e do sistema de saúde moçambicano. Para Alexandre Padilha, a escola consolida Moçambique como referência na formação em saúde pública para os países africanos de língua portuguesa.
No entender do presidente da Fiocruz, Mário Moreira, a parceria entre a instituição e o governo moçambicano tem potencial para fortalecer a cooperação entre Brasil, Moçambique e os demais países de língua portuguesa. Para ele, a escola “já nasce moderna, contemporânea, antenada com os grandes desafios da saúde pública, numa perspectiva de justiça social, que permita às pessoas terem acesso à melhor saúde possível”.
Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link.