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Aviação

Laudo aponta causa da morte de aluno piloto após “banho de óleo”

Atualizado em: 21 de July de 2026 às 10:01
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

Polícia Civil do Paraná conclui, em análise preliminar, que Gustavo Henrique Lara morreu por asfixia após exposição química

O engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu por asfixia mecânica decorrente de edema de via aérea após exposição química, segundo laudo preliminar divulgado nesta segunda-feira (20) pela Polícia Civil do Paraná (PCPR). O jovem morreu depois de participar de um ritual comemorativo conhecido como “banho de óleo”, realizado após seu primeiro voo solo em uma escola de aviação de Ponta Grossa (PR).

Segundo a PCPR, a causa da morte foi apontada preliminarmente como “asfixia mecânica por edema de via aérea após exposição química”. A corporação informou que ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais.

De acordo com o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, a substância despejada sobre Gustavo era um óleo utilizado em motores de aeronaves. Conforme os depoimentos colhidos até o momento, incluindo o do instrutor do aluno, foi o próprio instrutor quem derramou o produto durante a comemoração.

Após o ritual, Gustavo passou mal ainda no centro de aviação. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), encaminhado a um hospital da região, mas não resistiu.

O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O instrutor chegou a ser preso, pagou fiança e foi liberado. A Polícia Civil solicitou exames necroscópicos, periciais e toxicológicos, além das imagens do local onde ocorreu a comemoração. O nome do instrutor não foi divulgado.

Quando o caso veio à tona, na última quinta-feira (17), a morte havia sido inicialmente associada a uma reação alérgica após o contato com o óleo de aviação utilizado no chamado “banho de óleo”, prática tradicional em algumas escolas e aeroclubes para marcar o primeiro voo solo de pilotos em formação. O laudo preliminar divulgado agora, no entanto, aponta como causa da morte a asfixia provocada por edema das vias aéreas após a exposição química.

Após o caso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lamentou a morte de Gustavo Henrique Lara e alertou que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, entrar em contato com a pele, conforme orientam os rótulos desses materiais.

Segundo a agência, o uso dessas substâncias em celebrações representa risco à saúde e pode, inclusive, levar à morte. A Anac também reforçou que escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução devem rever ritos de conclusão de etapas da formação, ressaltando que a segurança deve prevalecer sobre qualquer tradição e que manifestações comemorativas não podem expor alunos, instrutores ou terceiros a riscos.

O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa informou que o episódio ocorreu fora da área da escola, após o encerramento das atividades de voo. Em nota, a instituição afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e oferecer apoio aos familiares “dentro de suas possibilidades”. O CIAC acrescentou que, em respeito à memória de Gustavo, à família e ao trabalho de investigação, não fará novos comentários até a conclusão das apurações.

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TAGS Acidente Aéreo Gustavo Henrique Lara Ponta Grossa
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