Ferrovias
Transnordestina recebe mais R$ 120 mi do FDNE para avançar entre PI e CE
Novo repasse reforça obras no trecho até o Porto de Pecém, enquanto ligação com Suape segue condicionada a análises do TCU
A ferrovia Transnordestina recebeu um novo aporte de R$ 120 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) para dar continuidade às obras no trecho entre Eliseu Martins (PI) e o Porto do Pecém (CE). A liberação foi anunciada nesta segunda-feira (27) pela Diretoria Colegiada da Sudene e corresponde à segunda parcela de um crédito total de R$ 600 milhões aprovado no início do mês.
Antes desse repasse, o projeto já havia recebido R$ 359,7 milhões, garantindo a manutenção do cronograma financeiro da obra. O trecho entre Piauí e Ceará concentra atualmente os investimentos da ferrovia, considerada estratégica para conectar áreas produtoras do interior nordestino aos portos da região.
O financiamento da Transnordestina tem no FDNE uma de suas principais fontes. Segundo a Sudene, o fundo prevê aplicar R$ 7,4 bilhões no empreendimento até 2027, dos quais R$ 6,4 bilhões já foram liberados. Além disso, o projeto também conta com R$ 800 milhões oriundos do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor).
De acordo com dados da autarquia, a primeira etapa da ferrovia, entre Eliseu Martins e Pecém, já alcançou cerca de 82% de execução. O projeto completo prevê aproximadamente 1.206 quilômetros de extensão e investimentos estimados em R$ 15 bilhões.
O trecho em execução atravessa regiões com forte produção agrícola, mineral e industrial, especialmente no Piauí, onde há expansão do cultivo de grãos no cerrado nordestino. A ferrovia foi planejada para ampliar a logística de transporte de longa distância, facilitando o escoamento de cargas destinadas ao mercado interno e à exportação.
Já a ligação com o Porto de Suape (PE), prevista no traçado original entre Salgueiro e o litoral pernambucano, segue em estágio inicial. O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o avanço das etapas relacionadas à elaboração dos projetos executivos, após analisar questionamentos sobre a viabilidade do trecho.
Apesar da liberação para continuidade dos estudos, o TCU manteve condicionantes para a retomada das obras físicas e novos aportes financeiros, que ainda dependem de avaliações sobre demanda, custos e viabilidade econômica.
Estudos apresentados pela Sudene ao tribunal indicam Valor Social Presente Líquido de R$ 4,76 bilhões e Taxa de Retorno Econômico de 15,53% para o segmento. As projeções também apontam capacidade de movimentação entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas, conforme diferentes cenários operacionais da ferrovia.