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Beatrice de Toledo Dupuy

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ESG morreu? Ou finalmente virou estratégia de negócios?

Sustentabilidade não representa apenas responsabilidade ambiental. Representa resiliência. Representa capacidade de antecipar riscos. Representa inteligência na alocação de recursos. Representa visão de futuro. Uma empresa que reduz desperdícios torna-se mais eficiente.

ESG morreu?

Essa é uma pergunta que tem aparecido com frequência em manchetes, eventos e reuniões de conselho. Em alguns mercados, a sigla perdeu espaço nos discursos corporativos. Em outros, tornou-se alvo de críticas, seja por razões políticas, seja pelo excesso de promessas que nunca saíram do papel. 

Mas será que o ESG realmente morreu? 

Na minha visão, não. O que morreu foi a ideia de que sustentabilidade pode existir separada da estratégia de negócios. 

As empresas deixaram de investir em eficiência energética? Pararam de reduzir emissões? Abandonaram a gestão de riscos climáticos? Deixaram de inovar, buscar produtividade ou fortalecer sua governança? Muito pelo contrário. Esses temas nunca estiveram tão presentes nas decisões estratégicas. A diferença é que hoje eles são tratados como aquilo que realmente são: fatores que determinam a competitividade e a capacidade de gerar valor no longo prazo. 

Durante muitos anos, a sustentabilidade foi vista como uma agenda paralela, muitas vezes concentrada em uma única área da empresa. Era comum associá-la a relatórios, indicadores ou projetos específicos. Esse tempo ficou para trás. A sustentabilidade deixou de ser um departamento. Tornou-se uma forma de fazer negócios. E talvez essa seja a maior evolução da agenda ESG. As organizações mais preparadas entenderam que eficiência operacional, inovação, gestão de riscos, reputação, acesso a capital e atração de talentos fazem parte da mesma equação.

Não existe competitividade de longo prazo sem capacidade de adaptação. Isso é especialmente verdadeiro para os setores de infraestrutura, logística e transportes. Estamos falando de um segmento diretamente impactado pelas mudanças climáticas, pela transição energética, pela necessidade de modernização da infraestrutura e pela crescente demanda por eficiência operacional. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial acelera ganhos de produtividade, mas também amplia a necessidade de energia, infraestrutura digital e gestão responsável dos recursos. 

Nesse cenário, sustentabilidade não representa apenas responsabilidade ambiental. Representa resiliência. Representa capacidade de antecipar riscos. Representa inteligência na alocação de recursos. Representa visão de futuro. Uma empresa que reduz desperdícios torna-se mais eficiente. Uma operação que investe em energia limpa reduz custos e aumenta sua previsibilidade. Uma organização preparada para enfrentar eventos climáticos protege seus ativos, fortalece sua cadeia logística e gera mais valor para clientes, investidores e para a sociedade. No final do dia, isso não é apenas ESG. É boa gestão. 

Outro aspecto chama a atenção. Durante anos discutimos metas, compromissos e políticas. Essa etapa foi importante e ajudou a amadurecer o tema dentro das organizações. Agora, o mercado quer algo diferente. Quer resultados. Quer indicadores. Quer evidências. Quer compreender como a sustentabilidade contribui para reduzir riscos, impulsionar inovação, aumentar produtividade e fortalecer os negócios. 

Essa mudança de foco é extremamente saudável. Ela desloca a conversa do discurso para a execução. E é justamente na execução que as empresas verdadeiramente comprometidas começam a se diferenciar.

Ao mesmo tempo, nenhum desses desafios será enfrentado de forma isolada. A transição para uma infraestrutura mais sustentável exige colaboração, compartilhamento de experiências e construção coletiva de soluções. É por isso que acredito tanto em ambientes que conectam empresas, governo, academia e sociedade civil. Quando diferentes perspectivas se encontram, surgem ideias melhores, decisões mais consistentes e soluções capazes de gerar impacto real. 

Conhecimento compartilhado acelera transformação. Esse também é um dos princípios que orientam a Agenda Estratégica do Conselho ESG Brasil Export: fortalecer a produção e a disseminação de conhecimento, ampliar o diálogo entre os diversos atores do setor e transformar experiências em soluções capazes de impulsionar uma infraestrutura mais inovadora, resiliente e competitiva.  

Talvez, daqui a alguns anos, a sigla ESG apareça menos nos relatórios e nas apresentações. E isso não será um problema. Porque, quando uma agenda deixa de ser um discurso para se tornar parte da estratégia, ela já não precisa mais provar sua importância. Pode chamar-se eficiência. Pode chamar-se inovação. Pode chamar-se resiliência. Pode chamar-se competitividade. O nome importa menos do que a essência. Porque as empresas que continuarão liderando seus setores não serão aquelas que mais falam sobre sustentabilidade. Serão aquelas que conseguem incorporá-la às suas decisões, às suas operações e à sua cultura. 

O verdadeiro teste do ESG nunca foi a popularidade da sigla. Sempre foi sua capacidade de transformar a forma como fazemos negócios.

Béatrice de Toledo Dupuy e demais integrantes do Conselho ESG dos fóruns Brasil Export escrevem semanalmente, sempre às sextas-feiras, para o BE News.

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